Padrão genético torna alguns europeus mais férteis

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Publicado segunda-feira, 17 de janeiro de 2005 as 21:59, por: cdb

Pesquisadores que atuam na Islândia disseram no domingo ter identificado um padrão genético que torna alguns europeus mais férteis.

O padrão genético, conhecido como inversão, é um trecho do código de DNA que está posicionado de trás para a frente em seus portadores.

Normalmente rearranjos como esse são inofensivos aos portadores. Mas esse faz com que aqueles que o possuem tenham mais filhos a cada geração — dando-lhes a chamada vantagem seletiva, disseram os pesquisadores.

A descoberta, publicada na edição de segunda-feira da revista Nature Genetics, dá margem a questões interessantes sobre a evolução humana, afirmou a equipe da DeCODE Genetics, da Islândia.

“Descobrimos que pelo menos 20 por cento das pessoas da Islândia têm pelo menos uma cópia dessa inversão”, disse o porta-voz da DeCODE, Edward Farmer, num comunicado.

“Então buscamos outros banco de dados para ver se ela existia em outros lugares e o quão comum era. É bem comum nas populações européias, mas muito rara na África e virtualmente inexistente na Ásia.”

Mais de 29 mil islandeses doaram amostras de DNA para um banco de dados aberto aos cientistas.

Os genes são carregados por estruturas chamadas cromossomos. O código de DNA varia de pessoa para pessoa, mas os genes e outras partes do código normalmente estão posicionados nos mesmos cromossomos, e na mesma ordem.

O longo trecho de DNA em questão está no cromossomo 17, conforme descobriram Augustine Kong e Kari Stefansson, da DeCODE. Elas estão verificando agora se a inversão afeta a função dos genes desse trecho.

Cerca de 21 por cento de todos os europeus analisados tinham a mesma inversão, batizada de H2, mas apenas 6 por cento dos africanos e 1 por cento dos asiáticos a possuíam.

Não é possível notar os efeitos da inversão H2 no nível individual, já que cada portador tem em média 0,06 filho a mais. Mas, quando se levam em conta populações e gerações inteiras, a diferença aparece, disseram os pesquisadores.

Cálculos sugerem que a inversão existe há 3 milhões de ano, segundo os cientistas. “Isso antecede o surgimento do Homo sapiens anatomicamente moderno na África (há 150 mil anos) e pode até anteceder a origem do gênero Homo (há 2,5 milhões de anos)”, escreveram os autores.

Pode ser que a inversão genética tenha sobrevivido no código humano por todo esse tempo, ou então pode ser que o Homo sapiens tenha se misturado a espécies mais antigas, como o Homo erectus, e herdado a variação delas. As duas espécies podem ter vivido simultaneamente antes da extinção do Homo erectus, algo entre 400 mil e 50 mil anos atrás.

Em cada geração, o portador da H2 tem cerca de 3,2 por cento mais filhos que as pessoas que não possuem a sequência. É vantagem suficiente para ter “profundas consequências” sobre a evolução, disse a Nature Genetics.