Otan recebe sete novos sócios e chega à fronteira da Rússia

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Publicado segunda-feira, 29 de março de 2004 as 19:21, por: cdb

Sete países da Europa Oriental aderiram à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na segunda-feira em uma cerimônia triunfal, mas a expansão pode retardar deslocamentos de tropas e irritar a Rússia, que agora tem a aliança militar ocidental grudada em sua fronteira.

Com a adesão de Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Bulgária e Romênia, o bloco liderado pelos EUA e fundado há 55 anos, em plena Guerra Fria, passa a ter 26 países.

“Bem-vindos à maior e mais bem-sucedida aliança da história”, disse o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, aos primeiros-ministros dos novos sócios. Powell disse que também apóia a adesão de Albânia, Croácia e Sérvia e Montenegro, apesar de as ampliações poderem retardar o envio de tropas, que necessitam de aprovação por consenso.

“Hoje é um dia realmente fantástico para a Eslováquia. Eu considero isso um enorme sucesso”, disse o chanceler Eduard Kukan à Reuters. Agora, 40 por cento dos países da Otan são ex-comunistas, ou seja, já foram inimigos da aliança.

A Rússia criticou duramente a ampliação, especialmente com relação aos países que faziam parte da União Soviética até 1991.

Além da cerimônia de segunda-feira, haverá também uma outra, na Casa Branca, na qual o presidente dos EUA, George W. Bush, vai receber os primeiro-ministro dos novos países. Bush é freq entemente criticado por dar pouca atenção à formação de alianças.

“É compreensível que os norte-americanos estejam fazendo o seu show hoje”, disse o deputado russo Konstantin Kosachev, da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento.

Ele disse que o plano da Otan de patrulhar o espaço aéreo dos três países bálticos da ex-URSS (Estônia, Letônia e Lituânia) representa uma medida “inamistosa”. “Não se pode descartar que a Rússia venha a examinar a adoção de medidas correspondentes”, disse ele a jornalistas.

Em nota, a chancelaria russa disse que a adesão dos países bálticos implica a idéia de que pode haver uma guerra na Europa. “A principal coisa que poderia melhorar a segurança européia seria uma mudança fundamental na própria natureza da Otan, uma implantação consistente do acordo sobre a nova qualidade das relações entre Rússia e Otan, inclusive a luta conjunta contra ameaças e desafios novos e verdadeiros.”

A partir desta segunda-feira, a Otan está mais próxima dos Bálcãs, do sul do Cáucaso, do Oriente Médio e da Ásia Central, regiões com potencial para alimentar os piores inimigos do Ocidente no mundo pós-11 de Setembro — o terrorismo e a disseminação de armas de destruição em massa.

Mas a expansão pode prejudicar a capacidade de a Otan responder de forma rápida a tais ameaças, por causa da sua estrutura de decisões por consenso.

No ano passado, algumas nações da Otan que queriam se contrapor aos EUA provocaram um impasse de um mês na discussão sobre reforços na segurança da Turquia, um país-membro, às vésperas da guerra no Iraque.

Desde então, porém, os ânimos se amainaram. A Otan assumiu o comando da força multinacional no Afeganistão — sua primeira operação fora da Europa ou da América do Norte.

Mas as feridas abertas pela ocupação do Iraque, que não teve aprovação da ONU, ainda não foram totalmente fechadas. Na segunda-feira, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop, disse a jornalistas que a aliança só vai entrar no Iraque se Washington conseguir uma resolução da ONU nesse sentido.