Osvaldo Bertolino: Lições de Arte

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Publicado sábado, 23 de junho de 2012 as 12:36, por: cdb

O livro “As artes plásticas na formação do professor — uma perspectiva interdisciplinar” pode ser lido por qualquer pessoa que se interesse por artes. O leitor tem um extenso painel do mundo das artes, escrito com leveza e erudição — um estilo marcante de Mazé Leite, dedicada pesquisadora do tema.

Por Osvaldo Bertolino, no Portal Grabois

Sempre se fala que quando um livro ou um filme é muito bom, logo no início ele nos domina. Mazé Leite faz a citação para descrever a fotografia Maureen Bisilliat, mas são palavras que descrevem exatamente a sua obra As artes plásticas na formação do professor — uma perspectiva interdisciplinar, que está sendo lançada pela editora Plêiade. Ler as 305 páginas do livro de Mazé Leite equivale a acompanhá-la em suas rigorosas visitas aos mais diversos pontos do mundo das artes. Boa parte do que escreve é resultado de verificações in loco de preciosidades que conformam a essência das artes plásticas na história da humanidade.

O livro é cuidadosamente dividido em quatro capítulos, cada um recheado de sub-itens, o que empresta à obra um agradável exercício de compreensão dos conceitos de forma cumulativa, um após outro, do mundo das artes. Ao passar do capítulo “A arte e a história”, o leitor está preparado para ir ao segundo, denominado “A arte e o acervo”. No terceiro capítulo, com o título “A arte: métodos e técnicas”, a autora se apóia no conhecimento acumulado pelo leitor até ali para explicar o fascinante exercício da criação. E encerra, no quarto capítulo, historiando uma copiosa lista de artistas, agrupada por regiões do planeta.

No primeiro capítulo, o leitor encontrará curiosidades preciosas, como as formas artísticas do mundo antigo. “A força das idéias vai gerando a história, movimentando os povos, mudando os sistemas”, escreve Mazé Leite. Ela abre com essa constatação o item que explica como as contradições impulsionaram o progresso do pensamento humano, que perpassou o período pré-revolucionário na França e avançou pelos séculos XIX e XX. Os pintores e escritores, no dizer da autora, se rebelaram, no século XIX, contra o estilo Neoclássico, que uniformizava o mundo dentro do padrão da estética clássica grega e romana. “Os românticos — como ficaram conhecidos esses rebeldes — pregaram a livre efusão dos sentimentos, a visão e a experiência individual do mundo”, explica Mazé Leite.

Ainda nesse capítulo, a autora faz um longo e cativante arrazoado sobre o realismo, que atravessa os tempos, segundo ela. “A realidade — esse contato direito do homem com o mundo à sua volta — tem gerado interesse, curiosidade, investigação, conhecimento, ciência e arte. Ao longo de milhares de anos, o Real tem intrigado o homem, tem movido o homem, tem inspirado o homem”, escreve. Mazé Leite encerra o capítulo com um também cativante item sobre a Semana de Arte Moderna de 1922.

O segundo capítulo é um retrato pintado com as cores do Realismo sobre o mundo e a história da arte. A autora passeia por Berlim, Paris, Curitiba, Rio de Janeiro, Washington e Madri, relatando detalhes do que viu, ouviu e sentiu. A leitura é apaixonante. A vontade é a de arrumar as malas e fazer — ou refazer — o roteiro da viagem.

No terceiro capítulo, Mazé Leite expõe o desafiador exercício da criação. Cita e mostra exemplos da sua experiência e relata o trabalho em um ateliê de São Paulo.

O quarto capítulo — o mais extenso, que ocupa a metade do livro — é um caprichoso retrato da vida e obra de alguns artistas representantes de períodos da história, como esclarece a autora na apresentação. Nas quatro partes — Europa, América do Norte (Estados Unidos), América Latina e Brasil — o leitor conhece a produção e o legado de nomes como Caravaggio, Velásquez, Paul Gaguin, Pablo Picasso, Cecília Beaux, Diego Rivera, Cândido Portinari e Edíria Carneiro.

Mazé Leite encerra com palavras que são um convite à reflexão: “Este livro se candidata a auxiliar o professor nesse caminho, que é árduo, sinuoso, cheio de percalços, como a vida — que, nas palavras de Clarice Lispector, não vale a pena sem risco.”

Segundo Mazé Leite, que é artista plástica, bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo e faz pesquisa em História da Arte, a idéia do livro surgiu a partir da possibilidade de participar do programa do Ministério da Educação e Cultura (MEC) de apoio ao professor, mas pode ser lido por qualquer pessoa que se interesse por artes plásticas. Desde 2009, ela mantém um blog onde escreve sobre artes plásticas e tem colaborado com diversas revistas e sites com textos sobre o tema.

Serviço:
As artes plásticas na formação do professor — uma perspectiva interdisciplinar”
Por Mazé Leite
Dia: 4 de julho de 2012
Horário: a partir das 19h
Local> Livraria do Espaço Unibanco
Rua Augusta, 1475 Cerqueira César

São Paulo – SP

 

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