Oscar anuncia aposentadoria

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Publicado segunda-feira, 26 de maio de 2003 as 16:45, por: cdb

Aos 45 anos, Oscar Schmidt anunciou em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 26 de maio de 2003, na sede dp Flamengo na Gávea, Rio de Janeiro, que deixará a o basquete.

Oscar chegou acompanhado do filho Felipe, que se sentou ao lado do pai, junto com o técnico Miguel Ângelo da Luz. Oscar cumprimentou seus colegas de equipe e anunciou de imediato sua aposentadoria.

– É muito triste e difícil, mas essa decisão foi tomada com muita serenidade. É difícil dizer adeus àquilo que mais amo fazer. Gostaria de voltar atrás e começar tudo de novo. Decidi parar de jogar e espero ter mais tempo para minha família. Quero agradecer especialmente a minha esposa, que é a pessoa que mais amo e a pessoa que mais me deu força. É por ela que faço essa homenagem, na última entrevista que concedo a vocês jornalistas como jogador de basquete.

Com o mesmo jeito de sempre, Oscar se emocionou ao citar as propostas que recebeu para continuar em atividade e com os inúmeros títulos que ganhou durante os 32 anos em que se dedicou ao esporte.

– Chegar aonde cheguei e ainda ser dono do meu destino é uma honra, uma coisa realmente boa para mim. Quero agradecer a meus companheiros de basquete, tanto os de agora quanto os do passado, e todos os meus técnicos, que somaram na minha carreira. Meu amigo Miguel Ângelo, que me permitiu a emoção de jogar com meu filho Felipe, meus companheiros que me ajudaram a ser recordista de pontos e jogar até os 45 anos. Foi com você Miguel, meu último técnico. Obrigado.

Em momento de nostalgia, o eterno “Mão Santa” disse que a passagem mais bonita e importante de sua careira foi quando fez parte da Seleção Brasileira de Basquete com a qual só lamenta não ter sido campeão mundial.

A partir de agora, longe do basquete como atleta, Oscar tem como planos futuros montar um Centro de Treinamento para crianças carentes, que levará seu nome. Enquanto isso, o maior cestinha do mundo continuará sua missão de dar palestras pelo Brasil. Com a consciência tranqüila, Oscar disse aos jornalistas que sempre seguiu os princípios impostos pelos pais e com isso chegou aonde chegou.

– Vocês ainda irão ver jogadores até melhores do que eu fui. Mas nunca verão alguém treinar como treinei e com a mesma obstinação. Treinei para melhorar a cada dia e com certeza dei 100% de mim todos os dias. Treinei para ser o melhor do mundo e não consegui.

Homenagem

O Presidente do Flamengo, Hélio Ferraz, e o Vice Presidente de Esportes Amadores, Carlos Eduardo Maya Ferreira, fizeram uma homenagem ao atleta, que não controlou o choro. A camisa de número 14, usada por Oscar durante os quatro anos que jogou pelo Flamengo, será aposentada.

– É muita honra e muito importante para mim, como presidente, estar presente em um momento como esse. Ver sua entrega total nos jogos pelo clube , com certeza foi uma das grandes emoções da minha vida. Por isso, a camisa número 14 será aposentada junto ao ídolo do Flamengo.

Durante quase dois minutos, Oscar se manteve de cabeça baixa e com a camisa envolvendo o rosto, em um sinal claro de muita emoção e tristeza.

– Não esperava por isso. Recebi esse gesto duas vezes na minha vida, mas nunca no meu país. Hoje, posso fazer o que todos fazem e que não custa nada, que é beijar esse escudo e agradecer todas as oportunidades que tive aqui dentro. Depois de passar pelo Flamengo, não vejo razão de jogar em outro time. Só lamento não ter vindo para cá há vinte anos, quando realmente fazia mais do que fiz. Gostaria de estar aqui quando pegava os rebotes e marcava meus pontos com mais facilidade do que hoje.

Em demonstração de carinho, Oscar deixou claro o quanto é importante para um atleta jogar pelo Flamengo. Uma relação de amor e ódio, disse ele.

Na presença dos filhos Felipe e Stefanie e da mulher Maria Cristina, o ex-ala rubro-negro concedeu pacientemente entrevistas e respondeu a todas as perguntas da melhor maneira possível.