Os últimos sons vindos dos fatídicos vôos de 11 de setembro

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Publicado terça-feira, 16 de outubro de 2001 as 15:11, por: cdb

O vôo 11 da American Airlines ficou misteriosamente silencioso. O controlador de tráfego aéreo o chamou insistentemente por uma resposta. Nada surgia. E então ele ouviu uma voz não identificada vindo da cabine do piloto: “Nós temos alguns aviões. Apenas fique quieto e você ficará bem. Estamos voltando para o aeroporto”.

O controlador, confuso, perguntou: “Quem está falando?”

Nenhuma resposta. Então ele ouviu a voz novamente: “Ninguém se mova, por favor, estamos voltando para o aeroporto. Não tentem fazer nenhum movimento estúpido”.

O homem aparentemente tentava falar com os passageiros, mas ele transmitia na freqüência monitorada por pilotos e controladores de tráfego aéreo, e sua voz foi o primeiro indício dos horrores de 11 de setembro.

As transcrições das comunicações entre pilotos e controladores, obtidas pelo The New York Times, mostram o início da percepção do terror nas cabines dos pilotos e nos centros de controle. Reunidas com entrevistas e outros documentos, mostram uma até então desconhecida visão de como, momento a momento, uma tranqüila e rotineira manhã se transformou em confusão, e então inevitavelmente em horror.

No frio e curto jargão da aviação, sinais de um desastre sem precedentes saltavam entre o solo e o céu, à medida que os militares e funcionários das linhas aéreas tentavam entender e controlar o caos.

A primeira confirmação de seqüestro de aeronave foi do vôo 175 da United Airlines, que deixou Boston com destino à Los Angeles, às 8:14h. Logo após de ter decolado, o controlador de tráfego aéreo pediu ajuda de outros pilotos para localizar o vôo 11, que deixou Boston às 7:59h e já havia desaparecido.

“Ouvimos uma transmissão suspeita quando decolávamos de Boston”, reportou-se o piloto do vôo 175 pouco depois de decolar, às 8:41h. “Parecia que alguém ajustava o microfone e dizia para que todos ficassem em seus lugares”.

Em 90 segundos, o vôo 175 se tornou uma outra peça do desastre, alterando seu curso programado para Los Angeles e cessando suas comunicações com o solo. “Não há transponder, nada, e ninguém está falando com ele”, disse o controlador.

E às 8:50h, um piloto não identificado disse na freqüência comum: “Alguém sabe o que é aquela fumaça em Lower Manhattan?”