Os revolucionários e os sem ideologia (em páginas)

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 10:44, por: cdb

Lançamento do final do ano passado: Revolução do Cinema Novo, segunda obra da coleção glauberiana relançada pela editora Cosac Naify. Obra prima. Não a escrita em si, que é questionável e vindo de um artista cuja concisão nunca foi o ponto forte mas sempre atraiu devido a sua alegoria ensandecida; livro-obra-prima-na-edição. E, ainda, Revolução do Cinema Novo é um ponto fundamental para a compreensão de todo o star-sistem da roliúde cinemanovista. Juntando-se o útil ao agradável, temos uma obra tão necessária quanto Revisão crítica do cinema brasileiro, a estréia literária de Glauber Rocha. Só que um é passional (Revisão) e o outro é testemunhal (Revolução). Ambos formalizam a proposta utópica de parte dos cineastas sessentistas (sendo Glauber o mais polêmico e revelador): rever e revolucionar.
 
É bom ver que a coleção glauberiana teve segmento. Pelo menos em livro. O DVD de Deus e o diabo na terra do sol anuncia uma certa Coleção Glauber Rocha que até hoje não saiu do primeiro e único volume (e já vão aí alguns anos). A Versátil DVD anuncia como próximos lançamentos há meses em seu site Terra em transe, Câncer, entre outros. O legado glauberiano, aos poucos, é relançado para a juventude pós-modernista.
                                                     *****
Enquanto isso, se Revolução do Cinema Novo é, antes de mais nada, um belo livro (aparentemente falando), a revolução visual acontece mesmo no Almanaque dos anos 80 (Ediouro). O projeto gráfico é, com certeza, revolucionário. A mesma geração pós-modernista vai se divertir horrores com as saudosistas lembranças de Luiz André Alzer e Mariana Claudino, autores/ testemunhas de uma geração bem diferente da juventude revolucionária dos cinemanovistas dos anos 60.