Os primeiros maus passos na estréia do governo Lula

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Publicado sábado, 18 de janeiro de 2003 as 12:09, por: cdb

Os brasileiros e seu novo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no cargo desde 1° de janeiro, estão em plena lua-de-mel. Lula ocupou-se com o tamanho de sua imensa popularidade e da esperança que encarna nas classes mais desfavorecidas nesta viagem que realizou, entre os dias 10 e 11 de janeiro, pelas regiões mais pobres do país, onde conduziu a quase totalidade de seus ministros “para lhes mostrar a miséria de perto”. A Caravana da Fome destinou-se a reafirmar que a luta contra a pobreza, que atinge 54 milhóes de pessoas, é a prioridade absoluta de um presidente que, segundo sua própria definição, é a “chance de ninguém morrer de fome nos próximos cinco anos”. Lula foi recebido por uma multidão em delírio que empurrava o cordão de isolamento para se aproximar, pedir-lhe um autógrafo, dar-lhe um abraço, às vezes aos gritos de : “eu te amo, presidente”. É assim desde desde sua eleição, em 27 de outubro. A cada uma de suas aparições públicas, o ex-líder sindical e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), a maior legenda de esquerda na América Latina, ele é ~envolvido nos braços do povo” fervoroso.

Confusão – Portanto, a estréia do governo Lula não conhece bem os maus momentos. “E nisso há um amadorismo e uma confusão que mostra o PT sem nenhuma experiência no Executivo federal, mesmo após governar, há muito tempo, várias grandes cidades e estados brasileiros”, repara Eliane Cantanhede, editorialista da Folha de São Paulo. Assim, o lançamento do Fome Zero, o programa de erradicação da fome, será lançado até o final deste mês. A incerteza pesa, agora, sobre as modalidades de aplicação do programa, que prevê a distribuição de cartões magnéticos que regulará a distribuição de rações alimentares.

Mas foi Roberto Amaral que abriu, com alvoroço, o “baile dos debutantes”. O ministro da Ciência e Tecnologia, que “teima em ignorar que o Brasil ratificou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares”, segundo a imprensa, declarou que seu país deveria desenvolver a tecnologia necessária para a construção da bomba atômica… depois teve que reconsiderar.