Ortega deixa embaixada da Costa Rica sob forte proteção

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Publicado quinta-feira, 27 de março de 2003 as 17:00, por: cdb

O líder sindical e opositor venezuelano, Carlos Ortega, deixou nesta quinta-feira, a embaixada da Costa Rica, país que no último dia 17 lhe concedeu asilo territorial, depois que o Governo venezuelano lhe concedeu um salvo-conduto.

Sob forte proteção da polícia política Disip, Ortega saiu da representação diplomática, em Caracas, às 13h10 (14h10 de Brasília) e foi para o aeroporto internacional de Maiquetia, a 30 quilômetros da capital, onde tomará um vôo que o levará diretamente para San José, de acordo com informações oficiais.

O líder sindical entrou em um veículo diplomático acompanhado pelo embaixador costarriquenho, Ricardo Lizano, e protegido por uma escolta de veículos policiais.

Ortega, de 57 anos e foragido da Justiça venezuelana, estava sob asilo diplomático na embaixada da Costa Rica em Caracas desde o dia 13 de março.

O presidente da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) era procurado pela polícia local desde 23 de fevereiro passado, depois que um Tribunal Penal, por solicitação da Procuradoria Geral venezuelana, o acusou de vários crimes e ordenou sua captura por liderar uma greve geral de 63 dias contra o Governo.

A mobilização, que foi realizada entre 2 de dezembro do ano passado e 3 de fevereiro deste ano, foi organizada pelo grupo opositor Coordenadoria Democrática para forçar a renúncia do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ou a convocação de eleições gerais antecipadas.

O presidente da CTV, junto com o líder da patronal, Carlos Fernández, foram os principais porta-vozes da oposição e, quase diariamente, estimulavam a população a participar da greve.

Carlos Fernández foi preso no dia 19 de fevereiro sob acusação de “rebelião civil e incitação ao crime”. Depois de cumprir prisão domiciliar, uma Corte de Apelações de Caracas ordenou, porém, sua “liberdade plena” ao desprezar as acusações da Procuradoria Geral.

Segundo informações oficiais, a greve gerou prejuízos superiores a 7 bilhões de dólares, o que “obrigou” o Governo a cortar o orçamento nacional deste ano e a estabelecer o controle do câmbio em fevereiro.