Oriente Médio começa a avaliar a possibilidade de Iraque ser próximo alvo americano

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 19 de dezembro de 2001 as 02:33, por: cdb

A opção de levar a guerra contra o terrorismo para o Iraque ganhou relevância nas últimas semanas, tanto no governo Bush como em importantes aliados muçulmanos, informaram membros do governo americano e diplomatas na região.

Os principais assessores de Bush para segurança nacional não fizeram qualquer recomendação para que o Iraque fosse atacado, mas sérias considerações para tirar Saddam do poder e planos de como fazê-lo estão sendo discutidos no Departamento de Estado e no Pentágono.

De certa forma, membros da administração Bush, em suas próprias declarações e em consultas com importantes aliados, indicaram que o sucesso das operações militares no Afeganistão está mudando a opinião no Oriente Médio sobre a possibilidade de uma investida contra Saddam.

A oposição européia contra qualquer ação ao Iraque continua intensa, mas diplomatas do Oriente Médio dizem que os líderes da Turquia sinalizaram em particular que os Estados Unidos poderiam utilizar bases turcas, caso os americanos pretendessem derrubar Saddam.

Acredita-se que o líder iraquiano, que se manteve no poder após a Guerra do Golfo Pérsico em 1991, esteja desenvolvendo armas químicas e biológicas, além de estar interessado em armas nucelares, embora o secreto programa nuclear por ele desenvolvido antes de 1991 tenha sido destruído.

A mudança na posição da Turquia se tornou pública no mês passado, quando o Ministro da defesa Sabahattin Cakmakoglu disse: “Declaramos diversas vezes que não desejamos uma operação contra o Iraque, mas novas situações poderiam levar a uma nova avaliação em nossa agenda”.

Nas últimas duas semanas, ao menos um importante enviado árabe em Washington mudou sua posição de que uma operação militar liderada pelos americanos no Iraque seria um desastre, ou levaria à queda de alguns dos governantes mais fracos da região.

O diplomata, que recusou ser identificado, apontou que a maioria dos países da região cultiva um desejo latente de se ver livre de Saddam. Ele disse que o sucesso da operação no Afeganistão e a fragilização da mensagem radical de Osama bin Laden criou uma nova oportunidade para agir no Iraque.

“Agora acredito que seja possível”, disse o diplomata.

Se uma coalizão liderada pelos americanos for bem sucedida, ele perguntou: “Quantas pessoas lamentarão a queda de Saddam?”

Em declarações feitas neste fim de semana, o Secretário de Estado Colin L. Powell reiterou explicitamente que é de interesse dos Estados Unidos a queda de Saddam Hussein e que “Estamos constantemente revisando as idéias, planos, conceitos” para atingir este fim.

Em uma outra declaração, Powell pela primeira vez indicou que sua ordem para o envio de uma equipe do Departamento de Estado para o norte do Iraque na semana passada era parte da avaliação da “praticabilidade” de “se formar uma oposição armada no Iraque”.