Organizações pedirão o fim da militarização e a retirada de tropas da Escola das Américas, durante reunião da Unasul

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Publicado quinta-feira, 29 de novembro de 2012 as 16:42, por: cdb

O Observatório pelo fechamento da Escola das Américas (Soa Watch Latina) e a Cooperação Militar, Segurança e Defesa (COMISEDE) aproveitarão a ocasião da VI Cúpula da União das Nações Sul-americanas (UNASUL), que acontecerá nesta sexta-feira (30) em Lima, no Peru, para reforçarem, junto aos chefes de Estado da região, os pedidos pela desmilitarização e pela soberania da América Latina e Caribe.

Isso significa, que a SoaWatch Latina e a Comisede querem que os governos parem de enviar soldados para serem treinados no Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação de Segurança (WHISC, por sua sigla em inglês), mais conhecido como “Escola das Américas”, sob o comando dos Estados Unidos; e que não aceitem bases militares dessa mesma nação no continente latino-americano e caribenho.

Há mais de 60 anos, a Escola das Américas, também conhecida como “Escola de Assassinos”, ensina táticas de comando, inteligência militar, e técnicas de combate e tortura para soldados de países da América Latina. Depois de muitos protestos, países integrantes da Unasul como Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela decidiram não enviar mais tropas para essa “escola” que está sob o Comando Sul do Exército dos Estados Unidos.

No entanto, países do bloco como Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai, continuam enviando tropas para o Instituto, segundo consta em registros da entidade datados de 2011, e consultados pelo Observatório. Por isso, as duas organizações enfatizam que “seria importante que todos os países membros da Unasul tomassem essa mesma decisão e retirassem suas forças militares e policiais do treinamento que continua dando na Escola das Américas”.

Para as duas organizações, “é importante continuar avançando na criação de mecanismos de Segurança e Defesa, que emanem da Unasul e da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), que se baseiem no respeito para a autonomia e soberania dos países, a não ingerência externa em assuntos domésticos, o rechaço à toda forma de intervenção e tentativa de militarização”

O Observatório pelo fechamento da Escola das Américas e o Comisede também ressaltarão para os integrantes da Unasul a importância de se avançar na desmilitarização do nosso continente, através da retirada das bases militares estadunidenses, e que esse orçamento gasto com fins militares, seja destinado para atender necessidades urgentes dos povos, como educação, moradia, trabalho e saúde.

“É importante avançar após esse objetivo sempre e quando uma academia militar da Unasul devesse ter como missão o fomento dos direitos humanos, a ecologia e o fortalecimento da amizade das Forças Armadas dos nossos povos”, finalizam. 

Cúpula da Unasul

Durante a VI Cúpula da União das Nações Sul-americanas (Unasul), chefes de Estados da região debaterão assuntos como Protocolo de Paz, Segurança e Cooperação entre os países sul-americanos, a situação do Paraguai – apesar deste país estar suspenso do bloco, após o golpe de Estado que depôs o presidente eleito pelo povo, Fernando Lugo -, entre outros.

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