Organizações indígenas e camponesas se unem por demandas agrárias históricas

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Publicado quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 as 14:33, por: cdb

No início destasemana, organizações indígenas e camponesas se reuniram em Brasília, capitalfederal do Brasil, para lutar por suas demandas históricas. Na tarde de ontem(28), em ato público realizado no Plenário 15 da Câmara dos Deputados, as organizaçõesapresentaram à sociedade um manifesto em que fazem críticas ao modelodesenvolvimentista brasileiro e reafirmam os eixos centrais de sua luta.

Durante o SeminárioNacional de Organizações Sociais do Campo, realizado nos dias 27 e 28, liderançasde mais de 10 organizações do campo e indígenas se reuniram para debater anecessidade de intensificar e unificar a luta em defesa da reforma agrária, dosdireitos territoriais e da produção de alimentos saudáveis.

De acordo com RosângelaPiovizani, integrante da Via Campesina, organização camponesa presente empaíses da Ásia, África, América e Europa, o seminário aconteceu para discutircomo fazer o Governo Federal se atentar para problemas como a reforma agrária,as dívidas rurais e a educação no campo.

“Há uma grandeinsatisfação, pois nos últimos anos não há recursos para a agricultura familiarcamponesa, mas para o agronegócio e as exportações sim. Juntas, em pautaunificada, as organizações do campo vão agir de forma mais intensa parareivindicar demandas que não andaram como a educação no campo, o aumento do usode agrotóxicos e o incentivo ao agronegócio, assim como a própria reformaagrária que não evolui porque não há vontade política para realizar asdesapropriações e fazer novos assentamentos”, critica.

No manifesto geradodurante o seminário nacional, as organizações participantes também criticam omodelo de produção de commodities agrícolas baseado em latifúndios, econsequentemente, na expulsão das famílias do campo.

“OBrasil vive um processo de reprimarização da economia, baseada na produção eexportação de commodities agrícolas e não agrícolas (mineração), que é incapazde financiar e promover um desenvolvimento sustentável e solidário e satisfazeras necessidades do povo brasileiro”, apontam.

Centradosno combate à mercantilização dos bens naturais, concentração e estrangeirizaçãoda terra, uso exagerado de agrotóxicos, violência no campo, criminalização dosmovimentos, lideranças e lutas sociais e demais problemas que afetam o campo,as organizações indígenas e camponesas reafirmam que sua luta terá continuidadevoltada a um desenvolvimento com sustentabilidade e focada na soberaniaalimentar e territorial.

Estaluta está pautada em quatro eixos centrais, que são: Reforma Agrária ampla e dequalidade, garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e quilombolase comunidades tradicionais; desenvolvimento rural com distribuição de renda eriqueza e o fim das desigualdades; produção e acesso a alimentos saudáveis econservação ambiental, estabelecendo processos que assegurem a transição para aagroecológica; e garantia e ampliação de direitos sociais e culturais quepermitam a qualidade de vida, a sucessão rural e a permanência da juventude nocampo.

Acooperação deve vir não apenas dos parlamentares e setores do governo. Aslideranças das organizações sociais aguardam também o apoio e adesão de outrasentidades e movimentos sociais, de personalidades e da sociedade em geral, jáque as pautas reivindicadas implicam na vida de milhares de brasileiros ebrasileiras.

O SeminárioNacional de Organizações Sociais do Campo teve a participação da Associação dosPovos Indígenas do Brasil (Apib), CÁRITAS Brasileira, Conselho IndigenistaMissionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional deTrabalhadores na Agricultura (Contag), Confederação Nacional dos Trabalhadoresna Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), MovimentoCamponês Popular (MCP), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dosPequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)e Via Campesina Brasil.