Orçamento de 2005 será decisivo, diz economista do FBO

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Publicado sexta-feira, 21 de janeiro de 2005 as 15:40, por: cdb

O ano de 2005 será decisivo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na realização de obras e desenvolvimento de projetos até o final do mandato. Com este raciocínio, o professor de finanças públicas da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Fórum Brasil de Orçamento (FBO), Roberto Piscitteli, considera fundamental que não haja contingenciamento nos R$ 21 bilhões de investimentos previstos no Orçamento Geral da União para este ano.

Quase a metade desses recursos foi acrescida, pelo parlamento, à proposta original encaminhada em agosto do ano passado pelo Executivo.

– Se quiser realizar alguma obra em 2006, (o governo) vai ter que começar este ano, pelo menos no que diz respeito à infra-estrutura – afirmou Piscitteli. Só o setor de transportes terá, da União, R$ 3.195.546.367,00, a maior rubrica de investimentos.

O economista do Fórum Brasil de Orçamento ressaltou que muitas vezes se confunde investimentos em transportes com recursos exclusivos para operações de construção, restauração e recuperação de estradas.

– Há no governo a idéia de se recuperar a indústria naval brasileira que é deficitária e também investimentos na recuperação de portos e hidrovias – disse ele.

Roberto Piscitteli lembrou, ainda, que o orçamento para infra-estrutura não se resume aos investimentos diretos da União. Além dos recursos das estatais, o governo também aposta nas parcerias público-privadas para injetar dinheiro em projetos do setor, como estradas, ferrovias e portos.

– Se criou uma expectativa grande de que as parcerias é que vão trazer os recursos necessários para projetos de maturação longa. Neste caso, os estados também entram como co-participantes – destacou.

O relator do Orçamento de 2005, senador Romero Jucá (PMDB-RR), explica que foram eleitas prioridades para a aplicação dos recursos orçamentários.

– Nosso trabalho buscou reforçar o atendimento de despesas de caráter social, o aumento dos investimentos – com maior atenção a obras em andamento – e à redução das desigualdades regionais – afirmou.

Além de transportes, duas outras áreas receberão investimentos maciços da União em 2005: Urbanismo (R$ 1.821.317.755,00) e Saúde (R$ 1.114.841.056,00). Já o setor de energia elétrica tem disponibilizado pela União R$ 81 milhões.

O professor da UnB considera esta uma das áreas mais sensíveis e que merecem maior atenção por parte do Executivo.

– Existe um prenúncio de que 2005 será um ano de seca. Tenho a impressão de que se algo não for feito na área de energia elétrica poderemos ter um período crítico nos próximos dois ou três anos – disse Piscitteli.