Oposição da Venezuela desdenha ajuda americana

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Publicado sábado, 11 de janeiro de 2003 as 18:26, por: cdb

A oposição ao presidente Hugo Chávez recebeu com reservas a proposta do governo americano de criar um “grupo de amigos” para tentar solucionar a crise na Venezuela.

Na avaliação de um dos principais líderes opositores, Carlos Fernández, presidente da Fedecâmaras, a situação no país está sob controle.

Segundo Fernández ainda não existe a necessidade da formação um “clube de países interessados em colaborar com os venezuelanos”.

Fernández acredita que a presença do Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gavíria, na coordenação dos diálogos entre os dois lados do conflito é suficiente.

“Ajuda inoportuna”

“Gavíria está desenvolvendo um excelente trabalho. Em pouco tempo, deve apresentar uma proposta positiva aos venezuelanos”, salientou o presidente da Fedecâmaras.

“Agradecemos o interesse dos Estados Unidos, mas acreditamos que, nesse momento, a ajuda é inoportuna”.

Segundo Fernández, o trabalho que Gavíria desenvolve no país já representa uma colaboração de países amigos da Venezuela.

De acordo com ele, Gavíria ainda está mantendo o controle da situação.

“O único problema é que Chávez não escuta a população, não entende o que está ocorrendo nas ruas do país. Mas, achamos que, com pressão, chegaremos a uma solução para esse conflito”.

“Grupo de amigos”

O plano dos Estados Unidos, de acordo com reportagem publicada no jornal Washington Post na sexta-feira, prevê a criação de um “grupo de amigos”, ligado aos dois lados do conflito e que proponha as bases do acordo para antecipar as eleições.

Além de fortalecer a participação da OEA na intermediação da crise, a idéia é acabar com a greve, que completou 40 dias na sexta-feira.

“Sabemos que os Estados Unidos estão preocupados com a paralisação que atinge o setor petroleiro e tem afetado profundamente as exportações para esse país”, disse Fernández.

“É uma preocupação válida e compreensível. Temos conversado permanentemente com o governo americano e com os representantes da Embaixada na Venezuela. Mas, nesse momento, não precisamos de uma ajuda suplementar”.

A proposta americana também quer esvaziar uma ação independente do Brasil para tentar resolver a crise dos venezuelanos.

O governo brasileiro já afirmou que é contra a antecipação das eleições na Venezuela como exige a oposição.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Chávez foi eleito de forma legítima e de nada adiantaria realizar eleições nesse momento, já que existe o risco de encerrar uma crise para iniciar outra.

Segundo Amorim, essa proposta, além de contrariar a Constituição, pode não resolver nada.

Informação oficial

O governo venezuelano se limitou a dizer na sexta-feira que desconhece a proposta americana de “criação de um grupo de países amigos”.

O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Roy Chaderton Matos, disse contar apenas com informações preliminares de que alguns países estariam dispostos a colaborar na busca de uma saída para a crise política e econômica que vive a Venezuela.

“Não recebi nenhuma informação oficial sobre a formação desse grupo”, afirmou Chaderton.

“Espero que a proposta tenha como objetivo buscar soluções para que os venezuelanos possam encontrar um espaço comum de reconciliação e de paz”.

Na avaliação do analista político José António Gil Yepes, a formação de grupos internacionais têm grande importância quando trata de buscar soluções para crises como a que vive a Venezuela.

Para Yepes, esse grupo, caso realmente seja formado, deveria se incorporar e reforçar o trabalho de Gavíria, que tem sido muito sério e difícil.