Oposição convoca mais protestos contra Hugo Chávez

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Publicado terça-feira, 17 de dezembro de 2002 as 23:26, por: cdb

A oposição ao governo de Hugo Chávez na Venezuela aproveitará o 172º aniversário da morte de Simón Bolívar para uma nova passeata em Caracas, a 16ª em 16 dias de greve geral.

Enquanto as ruas permanecem ocupadas por manifestantes a favor e contra Cháves, a greve causa estragos na produção petrolífera do país.

Nos próximos dias, as reservas de gás e gasolina devem escassear e pode começar a faltar combustível no país.

Isso já acontece em algumas partes do país, como no Estado de Zulia, o principal produtor de petróleo do país. Em outros distritos industriais venezuelanos, como Carabobo e Bolívar o Lara, a situação está crítica.

Baixa produção

Os gerentes da companhia estatal de petróleo, a PDVSA, que aderiu à greve, informaram que a produção atual está em torno de 400 mil barris de petróleo por dia, enquanto o normal é mais de 3 milhões de barris/dia, dos quais 2,5 milhões são exportados.

De acordo com Juan Fernández, que era gerente de planejamento da PDVSA até poucos dias atrás, esse é o nível mínimo de produção necessário para garantir a segurança dos equipamentos das instalações petrolíferas, além de um fornecimento racionado de gás às indústrias – inclusive de geração elétrica – e aos domicílios.

O governo não divulgou números e apesar de reconhecer que a situação das indústrias é “delicada” e falar de “sabotagem”, assegura que a produção está sendo normalizada aos poucos.

Nesta terça-feira, petroleiros estrangeiros deixaram o Lago de Maracaibo com petróleo destinado aos Estados Unidos.

O comandante-geral do Exército da Venezuela, general Julio Garcia Montoya, acusou os manifestantes que participam da greve geral de sabotar a indústria petroleira do país, o quinto maior exportador de petróleo do mundo.

Montoya declarou que o Exército “está disposto a utilizar sua força máxima para impedir o sucesso dessa aposta no colapso sócio-econômico da nação”.

No pronunciamento, o primeiro do general aos manifestantes desde o início da greve, em 2 de dezembro, Montoya afirmou que as exigências da oposição por novas eleições são “uma agressão aos interesses vitais da nação” que “ultrapassam as fronteiras do jogo democrático” e ameaçam a sobrevivência do Estado.

A segunda-feira foi um dia de violentos confrontos nas ruas de Caracas, capital da Venezuela. A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar um protesto contra o governo do presidente Hugo Chávez, que bloqueava várias das principais ruas de Caracas.

Ruas fechadas

Os manifestantes acusam Chávez de má administração e autoritarismo.

Os organizadores da greve começaram a bloquear as ruas ainda na madrugada. Nas sete horas seguintes, policiais atuaram em dez ocasiões para dispersar a multidão e liberar as ruas, fechadas com pedras, caixas, galhos de árvores e pneus em chamas.

Policiais afirmaram que moradores atiraram pedras das janelas de suas casas.

No sul de Caracas, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar grupos rivais de manifestantes que atiravam pedras contra uma barricada montada pela oposição.

Cerca de 500 manifestantes da oposição trocaram xingamentos com cerca de cem pró-Chávistas em uma rodovia de seis pistas.

Os manifestantes também montaram piquetes ao longo de vários trechos de uma rodovia ao leste da cidade.

“Golpistas”

Os opositores do presidente acusam-no de má-administração da economia do país e autoritarismo. Chávez classificou os venezuelanos que apóiam os protestos de “golpistas”, insistindo que não será forçado a renunciar.

O presidente determinou que o Exército não obedeça ordens de ninguém além dele. Ele afirmou que as tropas devem ignorar juízes e decisões judiciais e obedecer apenas decretos presidenciais.

Soldados do governo ocuparam a refinaria Paraguana, o maior complexo do tipo no mundo, de acordo com o gerente-geral Edgar Rasquin, que participa da greve.

A nova onda de protestos de oposição aconteceu depois de um comício no fim de sema