Oposição apóia lei revogatória de Evo Morales

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 16 de janeiro de 2007 as 21:33, por: cdb

Os principais partidos de oposição na Bolívia prometeram, nesta terça-feira, apoiar uma lei proposta pelo presidente Evo Morales para revogar o mandato dos governantes eleitos por voto popular, com o objetivo de conter uma onda de protestos contra autoridades regionais.

A lei, que afetaria todas as autoridades eleitas democraticamente, incluindo o presidente, foi anunciada na semana passada por Morales como uma saída para a crise política no distrito central de Cochabamba que deixou dois mortos e mais de 200 feridos.

– Esta lei deveria ser aprovada no menor tempo possível -, disse a jornalistas o líder parlamentar da aliança direitista, Poder Democrático e Social (Podemos, na sigla em espanhol), Fernando Messmer, ao anunciar seu apoio à iniciativa governamental.

Morales propôs a lei para por fim às mobilizações de sindicatos e grupos de vizinhos que exigem as renúncias dos governadores de Cochabamba e La Paz, que se declaram a favor de um regime de autonomia que foi rechaçado no ano passado em um referendo nacional.

Messmer acrescentou que o Podemos, o maior partido opositor, e o governante Movimento ao Socialismo “somam 140 dos 157 parlamentares (senadores e deputados), o que quer dizer que estão garantidos os dois terços necessários” por tratar-se de uma lei especial interpretativa da Constituição.

O chefe da também opositora Unidade Nacional, Samuel Doria Medina, declarou, de sua parte, que crê que o referendo revogatório devia ser incorporado à legislação boliviana atual e na nova constituição prometida por Morales para “refundar” o país.

Mario Cossíio, governador do distrito de Tarija, disse que seu partido, o centro-direitista Movimento Nacionalista Revolucionário, apoiava a proposta governamental porque acolhia uma reivindicação feita há vários meses por governadores opositores. Satisfeito pela boa recepção da iniciativa, o governista presidente do Senado, Santos Ramírez, disse em coletiva que o projeto seria tratado “imediatamente”.