ONU: O último dia

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 19:38, por: cdb

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ordenou a retirada do Iraque de todo o pessoal das Nações Unidas, incluindo os inspetores de armas, em pronunciamento horas depois do anúncio conjunto dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha de que estavam encerrando os esforços diplomáticos no Conselho de Segurança. “Obviamente, parece que chegamos ao fim da estrada”, disse Annan.

Annan acrescentou que os diplomatas do Conselho de Segurança estavam “desapontados e frustrados” com a impossibilidade de se ter obtido um consenso. Annan disse ainda que uma guerra contra o Iraque sem o apoio da ONU não tem legitimidade.

À noite, o presidente norte-americano, George W. Bush, fará um pronunciamento, pela televisão, em que exigirá que o presidente iraquiano Saddam Hussein deixe o poder para evitar uma guerra, segundo o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer

O chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, disse que sua equipe no Iraque, de 140 pessoas, precisará de 24 a 48 horas para deixar o país. Todos estão em Bagdad, a capital, e Mosul, no norte do Iraque.

Final das gestões na ONU
Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha anunciaram, nesta segunda-feira, que estão encerrando os esforços diplomáticos para obter a aprovação, no Conselho de Segurança da ONU, de um ultimato ao Iraque, deixando o caminho aberto para lançar uma guerra sem mandato do órgão.

O embaixador britânico na ONU, Jeremy Greenstock, culpou a França pela decisão sobre o fim dos esforços diplomáticos, afirmando que os franceses deixaram claro que vetariam qualquer nova resolução.

“Os co-patrocinadores não porão em votação o esboço da resolução”, acrescentou. “Os co-patrocinadores reservam para si o direito de dar seus próprios passos a fim de garantir o desarmamento do Iraque”.

Em Washington, Fleischer anunciou que Bush fará seu pronunciamento às 20h (22h, em Brasília).

O porta-voz acrescentou que os esforços diplomáticos para evitar uma guerra haviam terminado, e que Saddam Hussein deveria deixar o Iraque para evitar uma ação militar.

Na ONU, o embaixador da França, Jean-Marc de La Sablière, disse que não havia maioria, entre os membros do Conselho, para autorizar o uso da força, rejeitando, assim, a alegação britânica de ter obstruído os esforços diplomáticos.

A proposta de resolução estabeleceria um prazo para que o Iraque demonstre estar cumprindo a exigência de desarmamento.

A França, um dos cinco membros permanentes do Conselho com direito a veto, afirmou que não aceitaria uma resolução que daria, efetivamente, um ultimato ao Iraque.

“Membros do Conselho declararam, repetidamente, que não seria legítimo autorizar o uso da força agora, enquanto as inspeções estabelecidas por resolução estão produzindo resultados, e essa é uma maioria no Conselho”, declarou La Sablière.

Já o embaixador norte-americano, John Negroponte, afirmou que Washington e seus aliados acreditam que o Iraque não cumpriu a resolução 1.441, que exige que o país cumpra resoluções anteriores que exigem seu desarmamento ou enfrente “sérias conseqüências”.

“O nosso governo acredita que o Iraque está, agora, em violação material” da resolução, acrescentou.

O Iraque afirma que desistiu de suas armas químicas e biológicas, de mísseis de longo alcance e de esforços para desenvolver uma bomba nuclear, e que tem cooperado com os inspetores da ONU que verificam seu desarmamento.