ONU tenta interceder na Costa do Marfim para evitar agravamento da crise no país

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Publicado terça-feira, 28 de dezembro de 2010 as 10:35, por: cdb

Brasília – O acirramento da série de ataques violentos na Costa do Marfim levou subsecretário-geral das Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas, Alain Le Roy, a negociar diretamente com o presidente eleito do país, Alassane Ouattara. Na conversa, Le Roy ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) apoia os esforços pela implementação da democracia no país africano. Os protestos na Costa do Marfim foram gerados pela recusa do atual presidente Laurent Gbagbo em entregar o cargo ao sucessor.

As informações são da agência de notícias das Nações Unidas. “A equipe da ONU na Costa do Marfim está diante de uma população e líderes políticos que estão parcialmente hostis a sua presença”, disse Le Roy. “Mas a ONU vai continuar a prestar apoio a sua equipe”, completou.

Em seguida, o representante das Nações Unidas acrescentou que, como chefe de operações de paz, o primeiro objetivo é apoiar as missões, especialmente quando há momentos particularmente delicados, como é o caso agora na Costa do Marfim. Le Roy se reuniu no final da noite de ontem (27) com Ouattara, em Abidjan, a capital comercial da Costa do Marfim.

Para Le Roy, o presidente eleito é favorável à manutenção da equipe das Nações Unidas na Costa do Marfim. “O presidente Ouattara constatou que a equipe estava cumprindo satisfatoriamente [a missão]. Mas disse, no entanto, que ainda há melhorias a serem feitas”, afirmou ele. “Nós protegemos os civis [da maneira mais] imparcial possível, porque temos de proteger os civis sejam eles quem forem, independentemente da sua filiação política ou étnica.”

O representante da ONU afirmou ainda que aguarda resposta para um encontro com Laurent Gbagbo. Mas ainda não obteve sinalização alguma. Ghabo foi derrotado nas eleições de 28 de novembro, mas recusa-se a deixar o poder e entregá-lo ao sucessor eleito.

Em 2002, a Costa do Marfim – que é o maior país exportador de cacau – vive uma guerra civil, tendo o Sul sob controle do governo, mas o Norte em poder dos rebeldes. A equipe das Nações Unidas atua na tentativa de buscar a reunificação do país e evitar o agravamento dos conflitos que envolvem também questões étnicas.

Edição: Talita Cavalcante

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