ONU retira mais funcionários do Iraque

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Publicado terça-feira, 30 de setembro de 2003 as 11:31, por: cdb

A Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu reduzir mais uma vez o número de pessoal no Iraque, devido a preocupações com a segurança. Com isso, restam menos de 50 estrangeiros trabalhando para a organização no país.

Mais de 30 funcionários foram retirados do Iraque durante o fim de semana.

O porta-voz da ONU, Fred Eckhard, disse, porém, que outros estariam chegando ao país.

Antes do atentado a bomba de 19 de agosto, que matou o enviado especial Sérgio Vieira de Mello e outras 21 pessoas, a ONU tinha mais de 600 agentes no país.

Enquanto isso, o chefe do programa Petróleo por Comida no Iraque, Benon Sevan, disse que o projeto será entregue à autoridade provisória instalada pelos Estados Unidos, conforme havia sido planejado, apesar da falta de pessoal.

Calendário

Sevan afirmou que a entrega do programa, que movimenta bilhões de dólares em exportações de petróleo e ajuda humanitária, seria feita dentro do calendário previsto, antes do fim de novembro.

O correspondente da BBC Pam O’Toole diz que não é provável que a ONU e a autoridade provisória do Iraque terão condições de fazer um inventário conjunto sobre patrimônio do país, como também estava programado.

Paralelamente a isso, países árabes, reunidos na Assembléia Geral da ONU, expressaram muita preocupação sobre a instabilidade no Iraque a pediram às forças lideradas pelos Estados Unidos uma rápida entrega de poder para os iraquianos como solução ao impasse.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, decidiu os cortes extras de funcionários depois de um segundo bombardeio ao centro de operações da entidade em Bagdá, na semana passada, quando um guarda iraquiano que trabalhava para a ONU foi morto.

O chefe da missão no Iraque diz que, apesar dos cortes, ainda tem pessoal suficiente para continuar o trabalho.

“Ainda estamos aqui hoje, ainda estamos trabalhando”, disse ele.

Apesar disso, Annan expressou antes que, se a segurança não melhorasse, ele poderia proibir a volta de funcionários ao país.

Especialistas dizem que a contínua instabilidade no Iraque também coloca em discussão o papel mais amplo da ONU no país – possivelmente ajudando a fazer uma nova Constituição e a fiscalizar eleições.

Falando no começo da segunda semana da Assembléia Geral da ONU em Nova York, vários países árabes pediram a rápida restauração da soberania do Iraque e um papel maior para a ONU.

Políticos árabes também disseram que as forças que ocupam o país deveriam se comprometer com um claro calendário de retirada e com o fim da violência e da revolta.