ONU retira funcionários estrangeiros do Iraque

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Publicado sexta-feira, 26 de setembro de 2003 as 17:02, por: cdb

Um terço dos funcionários estrangeiros da ONU abandonará o Iraque nas próximas semanas, ficando no país apenas 60 desse grupo. Antes do atentado do dia 19 de agosto, eles eram 650. “Quero deixar claro que a ONU não está evacuando seus funcionários do Iraque: só está reduzindo sua presença internacional neste país”, afirmou a porta-voz das Nações Unidas, Véronique Taveau.

Segundo ela, os empregados que realizam tarefas administrativas abandonarão o Iraque e trabalharão na Jordânia ou em Chipre. “Morar no Iraque neste momento é difícil para todo mundo, iraquianos e estrangeiros. A ONU trabalha com os cidadãos deste país, portanto sofre as mesmas ameaças”, explicou um dos 86 funcionários estrangeiros que ainda estão no Iraque.

Agências como a Unicef, encarregada da infância, a ACNUR, responsável pelos refugiados, e várias outras passaram suas tarefas para funcionários iraquianos e removeram seus dirigentes estrangeiros.

O Hotel Canal, sede da ONU em Bagdá, sofreu dois ataques com carro-bomba nas últimas semanas. O primeiro, no dia 19 de agosto, causou 22 vítimas, entre elas o representante especial brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

O segundo, cometido segunda-feira passada, matou um agente de segurança iraquiano e o camicase. A porta-voz da ONU admitiu que a organização continua a receber ameaças, e reforça todo dia seu esquema de segurança.

“Vamos continuar a trabalhar e a estar presentes no Iraque, mas também queremos proteger nossos funcionários (…) A ONU não pode trabalhar em fortalezas, precisamos ter acesso às pessoas, e vice-versa”, acrescentou.

Véronique Taveau também destacou que os mais de 4 mil empregados locais das Nações Unidas “são plenamente competentes” para continuar o trabalho humanitário. “Os funcionários locais e estrangeiros da ONU trabalham juntos. Durante a guerra o pessoal iraquiano fez um trabalho enorme, em condições de segurança muito difíceis”, elogiou a porta-voz.

Os empregados estrangeiros das Nações Unidas deixaram o Iraque no dia 18 de março, dois dias antes da ofensiva militar, e voltaram no dia 1º de maio. A decisão de “abandonar” os funcionários iraquianos ante o perigo já provocou críticas de Organizações Não Governamentais (ONG) presentes no país.

Enquanto isto, os iraquianos se despediram em Najaf (160 quilômetros ao sul de Bagdá) de Akila Al-Hashimi, uma das três mulheres integrantes do Conselho do governo provisório, morta quinta-feira após ter sido vítima de um ataque sábado passado. Segundo o desejo de todos os xiitas, a ministra foi enterrada no cemitério de Najaf.

Al-Hashimi, que já tinha exercido um cargo no Ministério das Relações Exteriores de Saddam Hussein, foi escolhida em julho pelos responsáveis americanos para integrar o Conselho de governo provisório. A ministra se tornou a primeira vítima política iraquiana do pós-guerra.

Em Kirkurk (norte), um soldado americano morreu e dois outros ficaram feridos na noite desta quinta-feira, durante ataque com foguetes. O número de soldados americanos mortos no Iraque desde o dia 1º de maio já chega a 83. Sete iraquianos morreram e 13 ficaram feridos na noite desta quinta-feira, quando um obus de morteiro de origem indeterminada caiu numa praça de Baaquba (60 quilômetros ao norte de Bagdá).