O’Neill jantou com a equipe econômica foi simpático, mas não prometeu nada

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 5 de agosto de 2002 as 08:17, por: cdb

O secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, sinalizou hoje que o FMI (Fundo Monetário Internacional) deve atender ao novo pedido de ajuda financeiro feito pelo Brasil. A informação é do ministro Pedro Parente (Casa Civil), que participou nesta noite do jantar entre O’Neill e Pedro Malan (ministro da Fazenda) e Armínio Fraga (presidente do Banco Central).

O jantar ocorreu na casa de Fraga, no Alto Leblon, zona sul do Rio.
Segundo ele, a ajuda do FMI ao país teve boa receptividade por parte de O’Neill. “Percebi que eles (EUA) estão bastante interessados nisso”, disse Parente, referindo-se ao acordo como FMI. No entanto, Parente afirmou que a negociação do socorro financeiro do FMI não foi definida no jantar de hoje. Segundo ele, o empréstimo será negociado nos próximos dias.

Parente classificou o encontro com o secretário do Tesouro dos EUA como “muito bom e positivo”. “Percebi, por parte do secretário, uma postura bastante favorável e compreensiva. Ele demonstrou muito interesse sobre a situação da economia brasileira”, disse. O ministro-chefe da Casa Civil afirmou que a conversa durante o jantar girou em torno do Brasil e depois sobre as economias do país, dos Estados Unidos e do mundo.
Segundo ele, O’Neill não pediu desculpas sobre as recentes declarações sobre o Brasil. “Nem precisava pedir.”

No mês passado, O’Neill fez declarações que provocaram mal-estar e ameaçaram as relações diplomáticas entre o Brasil e os EUA. O Secretário disse que não iria oferecer ajuda financeira durante sua visita ao Brasil e Argentina, pois os dois países ainda precisam provar que sabem fazer bom uso dos empréstimos internacionais. “Esses países são importantes parceiros e aliados dos EUA. Mas precisam pôr em prática políticas [econômicas] que assegurem que o dinheiro que recebem seja bem aproveitado, e não apenas saia do país direto para uma conta na Suíça.” Na época, O’Neill foi enfático ao negar a liberação de novos recursos financeiros do FMI ao Brasil. “Não, não e não”, respondeu o secretário sobre a possibilidade de levar em sua bagagem um novo acordo de empréstimo ao Brasil.

Mais tarde, O’Neill afirmou que havia sido mal interpretado e que, se necessário, o país poderia contar com a ajuda dos EUA.Mesmo assim, as declarações de O’Neill provocaram grandes estragos na economia brasileira, como a disparada do dólar e o aumento do risco-Brasil. Os EUA são o maior acionista do FMI e controlam, com os europeus, as decisões do órgão internacional de assistência financeira.

Sem a anuência norte-americana, o Brasil não tem como conseguir um novo empréstimo. A visita de O’Neill ocorre no mesmo momento em que uma missão brasileira está em Washington – formada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, e pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn- negociando um novo pacote de ajuda com o FMI.

O’Neill deixou a casa de Fraga por volta das 22h30, depois de permanecer mais de três horas no local. Ele saiu acompanhado pela embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hirac. Minutos depois, Parente também deixou o encontro. Malan deixou a casa de Fraga cerca de 30 minutos depois de Parente, por volta de 23h30. Malan teve a mesma impressão positiva sobre o encontro. “Foi uma excelente conversa”. O’Neill embarca hoje para Brasília (DF), onde deve se encontrar com o presidente Fernando Henrique Cardoso.

No mesmo dia, o secretário do Tesouro norte-americano viaja para São Paulo. Na terça-feira, O’Neill embarca para Montevidéu, no Uruguai. Ainda neste mesmo dia, o secretário do Tesouro norte-americano viaja para Buenos Aires, na Argentina.