Obras lutam contra buracos nas estradas de Minas Gerais

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Publicado quinta-feira, 30 de outubro de 2003 as 02:48, por: cdb

Só agora, no início da estação chuvosa, o Governo federal começou a tapar os buracos nas rodovias federais que cortam Minas. Incluídos no rol de obras emergenciais, 60 trechos corroídos pela erosão ou com risco de deslizamentos deverão ser reparados em tempo recorde.
A esperança é conter o desgaste das estradas, provocado pela falta de manutenção nos últimos anos, antes da chegada das águas.

– Nossa meta é concluir esse trabalho no prazo máximo de 45 dias para evitar o agravamento da situação, o que, em alguns casos, implicaria na interdição do tráfego com o rompimento da pista – revelou na última quarta-feira o diretor do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte em Minas (Dnit), Alexandre Silveira de Oliveira.

Nessa verdadeira corrida contra o tempo, o Governo não vai poder continuar contando com a ajuda de São Pedro. Após uma longa estiagem, a previsão do 5º Distrito de Meteorologia é de que, nos próximos dias, comecem a cair chuva em pontos isoladas por todo o Estado.
 
Nas regiões Oeste, Sul e Zona da Mata, por exemplo, o tempo deve permanecer nublado até amanhã. E nas regiões Central, Vale do Rio Doce e no Noroeste devem ocorrer chuva isolada.
 
– A estação deverá ser marcada pela má distribuição das chuvas e pela irregularidade – avaliou o meteorologista Claudemir Azevedo.

O principal problema, que há muito vêm colocando em risco os motoristas, são os buracos. Mas há também risco de deslizamento de encostas.
 
Na BR-116 (Rio/Bahia), por exemplo, entre Fervedouro e Muriaé (Km 665,6), há um abatimento de quase um quilômetro na pista com quatro metros de profundidade. Para impedir que os buracos se transformem em crateras, além de tapá-los, em muitos casos, é necessário que se faça a drenagem do terreno.

A estimativa do Dnit com as obras emergenciais é de um gasto de aproximadamente R$ 18 milhões. Como as empresas foram contratadas através de ‘tomada de menor preço’, só ao final das obras o valor final total será apurado, respeito o teto das verbas disponíveis.
 
Mas, do total de recursos empenhados na operação de socorro às rodovias em Minas, R$ 250 mil serão obrigatoriamente empregados na recuperação de dois viadutos no Anel Rodoviário, cujas estruturas também estão abaladas por causa da erosão.

Dos 10 mil quilômetros da malha viária federal em Minas, apenas três mil têm contrato de manutenção. A atual administração, informou Alexandre Oliveira está com 43 processos licitatórios em andamento, visando dar cobertura ao restante.
 
‘O processo licitatório cumpre prazos legais e, mesmo sem ter a garantia de dinheiro, precisamos estar com os processos em dia –  justificou o diretor do Dnit.

Na próxima sexta-feira, ele participa, em Brasília (DF), de uma audiência pública na Câmara Federal, na qual deverá apresentar aos técnicos do Dnit e do Ministério do Planejamento os projetos para revitalização de 2.680 quilômetros da malha viária federal em Minas.
 
O dinheiro para isso sairia de um financiamento do Banco Mundial que prevê a recuperação de cinco mil quilômetros de rodovias no país. Contudo, será exigida contrapartida de R$ 260 milhões do Governo federal. Neste ano, o Governo federal liberou apenas R$ 150 milhões para as rodovias mineiras.
 
Boa parte desse dinheiro, cerca de R$ 30 milhões, foi investido na duplicação da BR-381, outros R$ 20 milhões ficaram na BR-040 – na recuperação do trecho entre Curvelo e Felixlândia – e R$ 17 milhões foram usados no recapeamento e revitalização da BR-459, trecho entre Poços de Caldas e Itajubá, no Sul de Minas.

Essa rodovia ganhou, recentemente, em uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o título de pior rodovia do país.
 
– Conseguimos executar todo o limite orçamentário porque tínhamos em mãos os projetos executivos e as licitações – enfatizou o diretor do Dnit/MG.