Obama prefere solução pacífica para o Irã mas não descarta a guerra

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Publicado quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 as 11:47, por: cdb
Obama
Obama criticou os ricos, que pagam menos impostos do que as suas secretárias

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu o Irã que seu país mantém a pressão sobre o polêmico programa nuclear da República Islâmica, sendo que “nenhuma opção (está) fora da mesa”, mas disse que a porta continua aberta às negociações para uma resolução pacífica.

Em seu discurso do Estado da União na noite passada, Obama disse que o governo iraniano ficou isolado e enfrenta sanções “paralisantes” que, segundo ele, continuarão enquanto Teerã mantiver dando as costas para a comunidade internacional.

– A América (do Norte) está determinada a impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear, e eu não vou tirar nenhuma opção da mesa para atingir esse objetivo. Mas uma resolução pacífica para este problema ainda é possível, e muito melhor, e se o Irã mudar o curso e cumprir suas obrigações, poderá retornar à comunidade das nações – disse ele.

Ao assumir o cargo em 2009, Obama rompeu com a política de seu predecessor republicano George W. Bush e ofereceu uma nova oportunidade ao Irã, dizendo que queria um novo começo com o país que Bush havia marcado como parte do “eixo do mal”.

Mas a oferta para negociar não deu frutos e as tensões continuaram a crescer sobre o programa nuclear iraniano, que Teerã diz ser para fins energéticos, mas nações ocidentais temem que seja para construir uma arma nuclear.

Em seu discurso ao Congresso, que focou principalmente sobre a economia dos EUA, Obama também disse ter certeza que o líder sírio Bashar al-Assad “vai logo descobrir que as forças da mudança não podem ser revertidas” e que os EUA iriam se posicionar contra a violência e intimidação no Oriente Médio e em outras regiões.

Com o discurso, ele também procurou atenuar as preocupações entre os eleitores judeus nos EUA sobre a sua posição em relação a Israel.

– Nosso compromisso férreo – e eu quero dizer férreo – com a segurança de Israel significa a mais estreita cooperação militar entre os nossos dois países na história – disse Obama.

O programa nuclear do Irã é uma grande preocupação para Israel, que não descartou a possibilidade de um ataque unilateral contra instalações nucleares iranianas.

Controle fiscal

Obama também usou seu último discurso do Estado da União antes das eleições de novembro para se colocar como defensor da classe média, pedindo taxas mais altas de impostos para os milionários e controle rígido sobre Wall Street.
Obama, que é candidato à reeleição, defendeu seu histórico após três anos no cargo e atribuiu muitas das penúrias do país a bancos e ao que chamou de um Congresso desconectado. Ele propôs mudanças rápidas na taxação de impostos e novas soluções para a crise de habitação dos EUA, com um pedido por maior justiça social.
Ele mencionou impostos 34 vezes e empregos 32 vezes durante seu discurso de uma hora, enfatizando os dois assuntos no cerne da campanha presidencial deste ano. Se, por um lado, se considera que as maiores propostas na fala de Obama dificilmente ganharão terreno em um Congresso profundamente dividido, a Casa Branca acredita que o presidente pode apelar ao ressentimento dos eleitores com os abusos do setor financeiro e a inoperância do Congresso.
O chefe do Executivo norte-americano quer a “retomada dos valores norte-americanos de jogo justo e responsabilidade compartilhada”, embora a maioria das pesquisas mostrem que a maioria dos norte-americanos desaprovam sua liderança na economia. Ele ainda enfrenta o duro desafio de convencer os eleitores de que o candidato conduzido à Casa Branca em 2008 prometendo esperança e mudança merece mais um mandato.
Falando durante uma sessão conjunta do Congresso, Obama fez um ataque a respeito dos impostos e prometeu não voltar aos “dias em que Wall Street tinha permissão de jogar com suas próprias regras”.
– Washington deveria parar de subsidiar milionários – declarou Obama, propondo uma taxa efetiva de pelo menos 30% sobre aqueles que ganham US$ 1 milhão ou mais.
O presidente Obama disse que irá pedir ao procurador-geral que estabeleça uma unidade especial de crimes financeiros para processar os acusados de práticas ilegais cujas fraudes contribuíram com a crise financeira de 2007-2009 que mergulhou os Estados Unidos na recessão.
A mensagem de Obama pode ecoar na campanha de 2012 após a divulgação do pagamento de impostos de Mitt Romney, pré-candidato republicano e um dos homens mais ricos a concorrer à Casa Branca. Ele paga menos imposto de renda do que muitos dos mais bem pagos do país. Uma nova proposta delineada por Obama para tornar mais fácil a mais proprietários de imóveis obter alívio em suas hipotecas – e pagar pelo plano com uma taxa sobre os bancos acusados de ajudar a criar a crise imobiliária – também recebeu o aplauso do plenário.
Os democratas criticaram duramente os republicanos no Congresso por apoiar cortes de impostos que favorecem os ricos. Os republicanos se opõem com veemência ao aumento de impostos, mesmo sobre os norte-americanos mais abastados.

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