OAB-SP diz que juiz foi assassinado por ser “rigoroso demais”

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 09:35, por: cdb

O presidente da seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, Carlos Miguel Aidar, atribuiu o assassinato do juiz corregedor Antônio José Machado Dias à quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Para o presidente da OAB-SP, o juiz foi punido por comparsas de Beira-Mar, por ter sido “rigoroso demais” com o traficante.

“Só posso ver como uma retaliação”, disse Aidar.

Após chegar ao presídio de Presidente Bernardes, Beira-Mar foi tratado como qualquer outro interno no local: durante a fase de adaptação, que se estendeu por 10 dias, não pôde receber qualquer visita e nem teve direito ao banho de sol.

Beira-Mar também quis encomendar comida em um restaurante da cidade – uma prática comum quando era interno de Bangu I – e teve, igualmente, o pedido rejeitado pela direção do presídio.

O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, esquivou-se de apontar prováveis culpados pelo assassinato de Antônio José.

“Seria precipitado falar quem foi antes de concluirmos as investigações”, reagiu. “Todas as hipóteses estão sendo levantadas”.
O secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, Saulo Ramos de Abreu, prometeu rigor máximo nas investigações.

“O que há de melhor na Polícia de São Paulo está sendo utilizado para resolvermos este crime”, disse.

Já o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoino, fez coro a Aidar e citou nominalmente Beira-Mar como o responsável pela execução do juiz.

“Que fique claro uma coisa: num governo democrático, que tem autoridade como o nosso, e trabalhando em parceria com os governos estaduais, não é um criminoso da periculosidade de Fernandinho Beira Mar que vai virar saco político para criar constrangimento para as autoridades e para a atuação do estado”, afirmou, antes de abrir a reunião nacional do Diretório do PT, em um hotel de São Paulo.