O último adeus à Dona Zica

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Publicado quarta-feira, 22 de janeiro de 2003 as 14:15, por: cdb

“Homenagem não vai faltar, porque todo mundo gostava dela”, diz Jamelão, intérprete da Mangueira. Dona Zica morreu na manhã desta quarta-feira, no Rio, aos 89 anos. Os muitos amigos e admiradores de Euzébia Silva de Oliveira, a Dona Zica da Mangueira, prestaram suas homenagens à grande dama do samba e madrinha da Estação Primeira da Mangueira, que morreu de manhã, no Rio. “Dona Zica era uma mulher dinâmica, que conviveu com o verdadeiro mundo do samba e levantou a Mangueira”, disse Joãosinho Trinta, carnavalesco da Grande Rio. “Hoje não há mais mulheres como dona Zica e dona Neuma, verdadeiras matriarcas do samba.”

“Do outro lado da vida, está cheio de mangueirenses ilustres e para lá foi a tia Zica: Mocinha, Djair, Cartola, Neuma, Carlos Cachaça”, afirmou o compositor mangueirense Nelson Sargento. “A Zica foi importantíssima para a cultura da Mangueira e a música brasileira.”

Conforme lembrou a sambista Lecy Brandão, “sempre que a Mangueira tinha algum problema para resolver, até de grandes esferas, dona Zica era convocada para chegar e resolver porque só a presença dela encantava qualquer pessoa. Então, a Mangueira perde seu esteio, porque dona Neuma era um e dona Zica era outro. E agora, com certeza absoluta, as duas estão no céu.”

“Foi uma surpresa”, disse Jamelão, intérprete dos sambas da Mangueira. “Homenagem não vai faltar porque todo mundo gostava dela.” O sambista mangueirense Ivo Meirelles também se mostrou surpreso: “Ela ´avisou´ que ia falecer várias vezes e, dessa vez, partiu sem avisar. Todo mundo na Mangueira está surpreso.”

Carlinhos de Jesus, coreógrafo da comissão de frente da Mangueira, se disse “arrasado” com a morte de Dona Zica. “Éramos muito próximos. A gente sempre dava bitoca na boca e ela costumava me chamar para comer feijão na casa dela, que eu adorava. Era a eterna avó, mãe, se preocupava com a gente. Era uma figura imortal”, lamentou. “Morte e dona Zica não combinam”.