O próprio antraz pode determinar a origem da carta enviada ao senado

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Publicado quinta-feira, 18 de outubro de 2001 as 17:38, por: cdb

Na busca por quem seria o responsável pelo envio de uma carta contendo a bactéria antraz altamente concentrada ao congresso, os detetives do governo estavam focados em duas possibilidades: ou seria um cientista estrangeiro ou um país com experiência em armas biológicas.

A melhor evidência veio do próprio antraz. Especialistas disseram que o processo para produzir esporos de alta qualidade que autoridades do governo dizem ter encontrado na carta para o líder da maioria do senado deixou pistas que podem indicar sua origem.

“Quanto mais sofisticada a preparação, mais impressões digitais têm de um ponto de vista discutido”, disse David R. Franz, ex-comandante do laboratório de defesa dos germes em Fort Detrick, Md.

Autoridades sabem que estão lidando com desafios assombrosos na investigação de um crime que parece ter deixado pegadas, e eles dizem que pode levar dias para isso se tornar público.

A lista de possíveis suspeitos é grande: milhares de cientistas que trabalharam com armas biológicas para a União Soviética, África do Sul e Iraque que tem a tecnologia para moer o antraz até a sua mais perigosa forma- mínimas partículas que podem ser levados por uma corrente de ar.

Especialistas dizem que alguém experiente em produzir vacinas e remédio pode também dominar os truques necessários para transformar esporos de antraz em pó.

Investigadores estão cientes da possibilidade de terroristas dentro de casa, Unabombers da biologia, que podem estar por trás destes ataques. Além disso, o material está sendo submetido a muitos testes que podem contestar as análises iniciais.

Autoridades disseram na quarta-feira que os testes feitos até então evidenciaram a possibilidade mais perturbante, que a substância enviada ao senado foi manipulada para ser resistente a antibióticos. O antraz, eles dizem, é resistente a uma cartela cheia de antibióticos.

Investigadores estão agora vendo de perto o tamanho e a composição das partículas. Vários países que produzem antraz têm diferentes técnicas para alcançar uma partícula pequena necessária para penetrar nos pulmões humanos.

Autoridades disserem que o Pentágono está considerando a teoria de que o Iraque está envolvido nos ataques, argumentando que Bagdá tem muitos motivos para disseminar o bioterrorismo nos Estados Unidos. No entanto, os investigadores federais, como a CIA, acreditam que há muito poucas evidencias do envolvimento do Iraque dos ataques de 11 de setembro e do antraz.

Outro foco dos investigadores federais é uma célula do Al-Qaeda em Milão, Itália.