O novo Leconte, as majors e o cinema europeu

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Publicado quarta-feira, 12 de janeiro de 2005 as 10:17, por: cdb

Curioso que duas multinacionais estejam co-produzindo/ distribuindo filmes europeus de cineastas consagrados e, que, justamente esses filmes destoem da produção dos diretores e não se assemelhem em nada aos filmes promovidos pelas majors. O primeiro caso é Os sonhadores, de Bernardo Bertolucci, co-produzido pela Fox. O segundo é Confidências muito íntima, de Patrice Leconte, co-produzido pela Paramount. 
 
O diferencial dessas fitas é que nenhuma das duas é hollywoodiana. Grandes estúdios já fizeram grandes produções para cineastas europeus, mas a linguagem muda por completo. Luc Besson é um caso, Jean Jacques Annaud é outro. Bertolucci e Leconte fizeram longa-metragens que em nada falam a língua corrente das produções da Fox e da Paramount. Dá-se a isso as poucas cópias em que ambos os filmes foram lançados (habitual para as produções dos cineastas, mas fora do esquema mega da majors, que fazem até 300 cópias de um lançamento).
 
Os sonhadores já foi exaustivamente discutido por aqui. Confidências muito íntimas, que estréia dia 21 em poucos cinemas, não merece muita atenção. O trailer, que vêm sendo projetado com alguma exaustão no circuito comercial, leva a crer que se trata de uma interessante história, com intriga e suspense. Não é nada disso. É um filme monótono, com maus atores e uma história pra lá de chinfrin. Curiosamente, o mesmo mal que atinge Os sonhadores (a completa inverosimilhança entre os personagens – o que, dependendo da pretensão do roteiro, o que não é o caso de ambos os filmes – funciona como qualidade) é dissonante em Confidências muito íntimas. 
 
Não se sabe bem como funciona esse esquema de co-produção/ distribuição de majors norte-americanas e filmes europeus. Os dois resultados recentes, bastante sofríveis, leva a crer que, ou a escolha dos roteiros por parte das majors é precária (definitivamente, cinemão e filme de arte não combinam), ou os consagrados cineastas se sentem compelidos a fazer algo extremamente abjeto em relação a sua filmografia para demarcar seu território junto a empresas que promovem blockbusters.