O mundo protesta contra a guerra

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 19:30, por: cdb

Com as chances de uma solução diplomática para a crise no Iraque cada vez menores, centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se no mundo inteiro, neste sábado, em protestos gigantescos em favor da paz.

O grito contra a guerra une, em igual forma, iraquianos e norte-americanos. Nos Estados Unidos, uma coalizão de grupos, a ANSWER (Resposta), convocou um comício em frente à Casa Branca, com a expectativa de atrair manifestantes de mais de 100 cidades.

Os protestos deste sábado ganharam maior repercussão depois que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, e da Espanha, José María Aznar, decidiram se encontrar para discutir os próximos passos na crise no Golfo Pérsico.

A reunião de cúpula acontecerá neste domingo no arquipélago português dos Açores e seu objetivo, na opinião de analistas internacionais, é acertar os detalhes do início de uma ofensiva contra Saddam Hussein.

No primeiro protesto deste sábado, cerca de 10 mil pessoas concentraram-se no centro de Tóquio para criticar os planos dos Estados Unidos e também o apoio do Japão a uma ação militar.

“Parem esse ataque tolo”, diziam alguns dos cartazes.

Em Seul, milhares de sul-coreanos lançaram pombos de papel nos céus da capital, em uma manifestação pacífica e emotiva.

Em Hong Kong, entre a multidão que saiu às ruas destacavam-se pessoas vestidas com barris – uma sugestão de que o petróleo, e não o desarmamento, está por trás dos planos de guerra.

Na Tailândia, 1.000 pessoas protestaram em frente aos escritórios das Nações Unidas em Bangcoc. Manifestação similar aconteceu em Amã, na Jordânia.

No Iêmen, foi o próprio presidente do país, Ali Abdullah Saleh, quem convocou a população a ir às ruas em comícios contra a guerra. O apelo foi atendido por dezenas de milhares de pessoas, que se expressaram em meio a rígidas medidas de segurança.

Em Chipre, pelo menos 3.000 pessoas marcharam até a embaixada norte-americana e penduraram faixas com lemas antiguerra no arame farpado que cerca a representação diplomática.

Na Nova Zelândia, mais de 4.000 pessoas percorreram a cidade de Christchurch e gritaram frases como “Dêem uma chance à paz”, repetindo o refrão da famosa música de John Lennon.

Na Austrália, houve protestos, vigílias, caminhadas e até piqueniques contra a guerra.

Na Grã-Bretanha, foram convocadas manifestações em Londres, Portsmouth, Leeds, York, Exeter e Newcastle.

Na capital britânica, organizações islâmicas programaram uma marcha passando pela embaixada de países muçulmanos.

Na Rússia, chamavam atenção os cartazes de manifestantes com frases como “EUA – Terrorista”, “Tirem as mãos do Iraque” e “Enforquem Bush”.

Parte da multidão permaneceu em frente ao Ministério do Exterior russo, gritando “Não à guerra no Iraque” e “Os Estados Unidos são um banheiro”.

Da chancelaria, os manifestantes seguiram para a embaixada dos Estados Unidos em Moscou, munidos de uma enorme bandeira do Iraque, e se juntaram a um outro grupo que havia chegado ao local mais cedo.

Protesto no Iraque

Na manifestação mais expressiva deste sábado, milhares de iraquianos saíram às ruas de Bagdad e outras cidades do país para reafirmar seu apoio ao regime que está na mira dos Estados Unidos.

Homens, mulheres e crianças, algumas carregando armas de brinquedo, avisaram que estão preparados para enfrentar o que chamaram de ataque da “coalizão do mal”.

“Nós o libertaremos, Saddam, como nosso sangue e nossas almas”, cantavam os manifestantes.

“Gostaria de dizer ao sr. Bush que estamos protestando hoje contra as ameaças norte-americanas contra o povo iraquiano”, disse uma moradora de Bagdad, Sana Ismail.

Na cidade xiita de Kerbala, o governador Latif Mahil Mahmoud afirmou que a população está pronta para lutar.

“Se o mal entrar no Iraque, todos os filhos de Kerbala, mulheres, crianças e homens, irão enfrentá-lo”, disse.

Enquanto manifesta