O mantra do mercado

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Publicado segunda-feira, 21 de março de 2011 as 14:40, por: cdb

Alexandre TombiniSoa até engraçada a birra do mercado – e da mídia – diante do bom entendimento entre o Banco Central de Alexandre Tombini e o Ministério da Fazenda (MF) de Guido Mantega. O que eles queriam? Guerra? Falta de harmonia e de colaboração entre os dois órgãos para sustar o crescimento do país?

A matéria do Estadão (publicada ontem) “BC de Tombini se alinha com a Fazenda” é um primor neste sentido. De acordo com ela, a sintonia entre as duas áreas públicas se dá sobretudo em relação a pontos importantes, como na estratégia de combate à inflação sem sacrificar o crescimento do país e na gestão da política cambial.

Pois é, segundo o jornalão esta sintonia incomoda o mercado. Como ela não era tão harmônica sob o BC de Henrique Meirelles e o Ministério da Fazenda durante o governo Lula, o mercado agora resolveu questionar e diz que a independência (na prática) do BC está em risco.

“Como vai ser para subir os juros como queremos?”

Ora, ora… Na realidade, eles estão é com saudades dos tempos em que o BC determinava não apenas a política monetária, mas também a econômica do país. E não passava reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) sem se elevar a taxa Selic de juros de acordo com o que eles veiculavam antes na mídia como “expectativa” do mercado.

“Como vai ser quando precisar subir ainda mais a Selic, como achamos que será o caso?” pergunta o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Eis explícito o velho mantra do mercado, que está por trás dessa ladainha sobre os riscos da independência do BC no governo Dilma e harmonia Mantega-Tombini.

Querem mais aumento de juros – no fundo é isto. Como se ninguém soubesse o que isso significa de pernicioso para o país.