O impasse que a Rio 20 revela

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 24 de março de 2012 as 08:44, por: cdb

Brice Lalonde, embaixador francês e secretário-executivo da Rio 20, informou à Folha de São Paulo que uma velha discussão deverá voltar à tona no evento: a determinação à ONU para que apresente, em um prazo de três anos, um indicador alternativo ao Produto Interno Bruto (PIB). O atual conceito que procura calcular o total das riquezas produzidas pela nações é criticado por passar ao largo dos impactos ambientais da produção de riqueza.

Para Lalonde um dos resultados mais promissores da conferência poderá ser a definição de ações na área de eficiência energética, capazes de ajudar a reduzir emissões. Segundo o dirigente, as discussões da Rio 20 podem resultar, ainda, em um “compêndio de compromissos”, entre os quais estariam objetivos de desenvolvimento sustentável nas áreas de água, energia, comida, oceanos e “solidariedade social” (conceito que engloba programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família).

Impasse do mundo desenvolvido

Eficiência energética, nova forma de calcular o PIB – incluindo, aqui, o custo ambiental – e solidariedade social são questões importantes. Mas também revelam o impasse na agenda da Rio 20 e expressa o momento de crise em que vive o mundo desenvolvido.

As nações industrializadas têm se mostrado incapazes de cumprir sequer como mínimos compromissos de Kyoto ou de Copenhague. Daí o silêncio sobre a agenda dos limites de emissão de gás carbônico ou para com um fundo de financiamento mundial das políticas preservacionistas.