O goleiro Rogério Ceni já marcou 31 gols

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Publicado segunda-feira, 22 de setembro de 2003 as 01:10, por: cdb

Como poucos, o goleiro Rogério Ceni tem o dom de sentir o momento certo de deixar sua área e se aventurar contra o colega do time adversário. Percebeu aos 23 minutos do primeiro tempo, quando o zagueiro Luís Alberto, do Atlético, ainda se esgoelava negando ter cometido falta na entrada da área de Velloso.
 
Rogério atravessou o campo e bateu, aos 24. O goleiro do Atlético já balançava os braços resmungando, quando a bola mal tinha tocado na rede.

Com uma classe pouco comum em meias destros que atuam no futebol brasileiro, Rogério virou o jogo diante do Atlético Mineiro. Mas não pôde encobrir a incompetência de sua zaga, que permitiu ao Atlético empatar no último minuto, 2 a 2, o jogo do último domingo no Morumbi pelo Campeonato Brasileiro.

Foi o 31º gol de Rogério pelo São Paulo, 25 cobrando falta, três de pênalti e outros três em decisões por pênaltis.
 
Uma forma heróica de aparecer no jogo, sobretudo no primeiro tempo, já que o ataque do Atlético pouco trabalho deu ao goleiro que disputava neste domingo sua 481ª partida com a camisa do São Paulo.
Antes de mudar o jogo, Rogério só foi visto quando buscava a bola dentro do gol, depois que o Atlético abriu o placar aos 7 minutos.
No intervalo, Rogério comentou:
 
– Nosso time sabe que é limitado. Precisa se aplicar do início ao fim por causa disso. Começamos devagar demais esta partida. Isso não pode acontecer.

Acabou de dar uma entrevista e foi na direção de Júlio Santos, culpado pelo lance do gol, que ficou para trás pouco antes de Fábio Júnior cruzar, Lúcio Flávio foi fazer o corta-luz para a bola encontrar o pé esquerdo de Alex Alves.

Na segunda etapa, só deu Atlético: Rogério teve bem mais trabalho. Principalmente porque em pelo menos três lances quase levou três gols – contra.
 
Primeiro foi Leonardo, que tentou desviar um ataque do Atlético e obrigou o goleiro a tirar para escanteio quando estava no contrapé. Depois, em lances parecidos, Lugano e Adriano também deixaram Rogério com menos fios de cabelo ainda.

Rogério tinha razões para – ao contrário de seus colegas – ficar atento ao extremo com o posicionamento de Fábio Júnior. Primeiro, fez uma grande defesa depois de uma pancada do atacante no ângulo, do lado direito.

No último minuto, o castigo: Fábio Júnior estava sozinho, exatamente no ponto em que a bola foi, depois de resvalar na perna de Gallo. Empate. E o goleiro que havia sido até então herói da partida foi pegar a bola no fundo das redes.
 
Notadamente possesso, chutou para o alto, caminhou em direção a seu poste esquerdo e lá ficou pensando na vida por alguns segundos, antes de o juiz apitar o fim de jogo. Rogério saiu correndo para o túnel sem falar com ninguém. Tinha consciência de ter feito o que estava a seu alcance. E um pouco mais.