“O DN cobriu-se de vergonha”, diz provedor do leitor

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 25 de junho de 2012 as 09:58, por: cdb

O Diário de Notícias publicou na passada terça-feira um artigo recheado de pormenores sobre a desocupação pela polícia da biblioteca do Marquês, outro espaço deixado ao abandono pela Câmara do Porto. Mas quando a polícia lá chegou, já o jornal estava nas bancas…Artigo |25 Junho, 2012 – 16:55 A notícia do DN “anotada” pelos ativistas.

As reações de indignação com a notícia do DN terão mesmo superado os protestos contra o despejo e entaipamento pela Polícia Municipal de Rui Rio do espaço da Biblioteca do Marquês. Desde 2001 que a Biblioteca se encontra ao abandono no Jardim do Marquês de Pombal, até que um grupo de munícipes resolveu limpá-lo, trazer livros e voltar a dar ao espaço a função que tinha antes. Conhecido pela sua aversão às iniciativas de auto-organização dos cidadãos do Porto, e em particular quando ligadas à promoção da Educação e Cultura, o presidente da Câmara não perdeu tempo a mandar entaipar o local, como fez há poucos meses na Escola da Fontinha.

O volume e a natureza das queixas enviadas para o email de Óscar Mascarenhas levou o provedor a dedicar a crónica semanal ao assunto, intitulando-a de “O caso da estranha notícia, com fonte policial e tudo, de facto ainda por ocorrer”. E a conclusão do provedor não deixa lugar a muitas dúvidas: “O DN cobriu-se de vergonha com aquela notícia de apenas 101 palavras.”

E de facto, em 101 palavras, quase nenhuma corresponde ao que aconteceu. A notícia dava conta de uma intervenção policial no dia 18 para desocupar a Biblioteca, que levou à identificação de três pessoas por injúrias e agressões a agentes da PSP. E dizia que os ocupantes pertenciam ao coletivo Es.col.a, expulsos por Rui Rio da Fontinha, onde animavam um projeto comunitário no edifício da escola abandonada pela Câmara.

O jornalista diz ter feito confusão com uma notícia publicada no site da TVI24, que posteriormente foi corrigida, e não só não contactou a PSP para confirmar o sucedido – neste caso, o não-sucedido – como também não identificou nenhuma das fontes da notícia, o que merece censura do provedor.

O debate alargou-se para fora das paredes do jornal e nas redes sociais chama-se a atenção para a promiscuidade existente entre polícias e jornalistas, que leva a publicar notícias falsas a partir do recurso exclusivo das fontes policiais. No próprio Diário de Notícias, essas notícias são normalmente assinadas pela mesma jornalista e costumam surgir na véspera de grandes manifestações ou greves gerais. Falam de grupos anarquistas violentos ou de ativistas estrangeiros que estão em Portugal para lançar a violência nos protestos sociais, como o 1º de maio ou o 25 de abril. Na prática, o seu efeito tem sido o de tentar instalar um clima de medo e insegurança a quem pretende manifestar-se e, por outro lado, favorecer a criminalização dos movimentos sociais.