Número de mortos no Rio de Janeiro passa de 50 por causa da chuva

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Publicado quinta-feira, 27 de dezembro de 2001 as 02:37, por: cdb

A descoberta de mais seis corpos na cidade serrana de Petrópolis e de dois que estavam soterrados em um deslizamento de terra na rodovia BR-040 elevou a 51, nesta quarta-feira, o número de mortos em conseqüência das chuvas que castigam o estado do Rio de Janeiro há três dias, informou a Defesa Civil.

A chuva se intensificou, dificultando os resgates e aumentando o risco de novas tragédias. Em Petrópolis, a cidade mais atingida, já foram resgatado 34 corpos e pelo menos 30 pessoas continuam desaparecidas, sendo dadas como mortas pelos parentes, que acompanham, com pouca esperança, o trabalho dos bombeiros. No final da tarde, foram encontrados dois corpos na altura do quilômetro 81 da BR-040, a Rio-Juiz de Fora, na subida da serra de Petrópolis. As vítimas eram um homem de cerca de 50 anos e uma criança, que estavam desaparecidos.

Os outros mortos no estado do Rio desde domingo, quando começou a chover, foram localizados na capital, em Duque de Caxias, Niterói e Paracambi. A Defesa Civil está em alerta máximo, uma vez que o Instituto de Meteorologia previu chuvas fortes nas próximas 24 horas, inclusive com ocorrência de granizo.

Ao todo, são três mil homens trabalhando nos resgates e na retirada de moradores de locais de risco, mas o chefe dos bombeiros, coronel José Lopes, garantiu que poderão ser convocados 16 mil militares e voluntários. Cerca de mil pessoas ainda estão desabrigadas em todo o estado, a maioria, cerca de 600, em Petrópolis.

A situação também é crítica na Baixada Fluminense, principalmente em Duque de Caxias, onde o transbordamento de córregos e o entupimento de redes de esgoto provocaram o alagamento de bairros inteiros. A rodovia Rio-Juiz de Fora (BR-040), que chegou a ser liberada na terça-feira em meia pista, voltou a ser interditada nesta manhã. Milhares de motoristas passaram a noite na estrada, que tem diversos trechos interrompidos com barreiras e árvores caídas.

Também nesta quarta-feira, um deslizamento de terra atingiu cerca de 20 barracos no Morro do Turano, zona norte da capital, mas não há, por enquanto, notícias de vítimas fatais. Entretanto, segundo os bombeiros, pelo menos 100 pessoas ficaram desabrigadas no local.

O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou a situação das enchentes no Rio de Janeiro. No retorno de seu descanso de Natal no Pantanal do Mato Grosso, o presidente disse que o governo disponibilizará os recursos necessários para as localidades mais atingidas pelas chuvas no estado e que, se fizer necessário, irá pessoalmente ao Rio nas próximas horas, o que deverá acontecer nesta quinta-feira, quando o presidente aproveitará uma visita ao Rio de Janeiro para sobrevoar, de helicóptero, as áreas mais atingidas pelas enchentes.

O governador do estado, Anthony Garotinho, comanda pessoalmente os trabalhos da Defesa Civil, sobrevoando os pontos mais críticos. Garotinho criticou os prefeitos por deixarem os moradores pobres construírem barracos nos morros e cobrou ajuda do governo federal. Por enquanto, o governador liberou apenas R$ 1 milhão para a prefeitura de Petrópolis, para compra de equipamentos com objetivo de facilitar o resgate dos desaparecidos nos deslizamentos de terra.

Mas Garotinho prometeu R$ 27,5 milhões para a cidade serrana, a mais prejudicada pelas chuvas, que se encontra em estado de calamidade pública. O ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, esteve no Rio na terça-feira, a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso, e prometeu liberar, em 15 dias, recursos federais para o estado.