Número de crimes cai, mas aumenta o de civis mortos pela polícia em SP

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Publicado quarta-feira, 31 de janeiro de 2007 as 20:11, por: cdb

Apesar das três ondas de ataques atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no último ano, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) apresentou nesta quarta-feira, na capital paulista o balanço anual no qual registra queda nas taxas de criminalidade social no estado em relação a 2005. Mas o número de civis mortos em confronto com policiais civis ou militares subiu de 300 para 537.

No balanço divulgado, diminuíram os números de dez entre 12 categorias de crimes listadas. Esse total não inclui, como categoria, as mortes praticadas pelos policiais. De acordo com o pesquisador Túlio Kahn, da Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da SSP-SP, as reduções seriam fruto de um trabalho de gestão das polícias estaduais, principalmente de planejamento e inteligência, à maior proximidade da corporação com a população, à restrição ao porte de armas de fogo e ao aumento do número de policiais militares nas ruas, como reação aos ataques atribuídos ao PCC. Kahn afirmou não ter dúvidas de que o estado está “muito mais seguro do que há seis anos”.

De 2005 para o ano passado, o total de homicídios dolosos e culposos caiu de 12.314 para 10.942, uma redução de 11%. Também diminuíram, segundo a secretaria, as tentativas de homicídio (16,9%), latrocínios (10,71%), estupros (12,25%), lesões corporais (2,58%), roubos (4,41%), roubos de veículos (9,15%), entre outros. Cresceu o número de furtos em geral, de 545.195 para 549.402 (0,77%).

De acordo com o pesquisador da CAP, o crescimento se explicaria pelo aumento no número de queixas (em decorrência da abertura de Delegacia Eletrônica) e porque há em circulação mais objetos de alto valor agregado, como tocadores de música em MP3, telefones celulares e computadores de mão do que há dez anos.

– São Paulo tem um padrão de crime de primeiro mundo -, disse Kahn.

Houve elevação de 12,69% dos registros de tráfico de entorpecentes, de 16.166 para 18.218. Embora os números gerais de roubos tenham caído, aumentaram os roubos a bancos e, para Kahn, esse aumento deve-se especialmente a uma nova estratégia do crime organizado para obter renda, pois segundo o pesquisador da CAP a polícia estadual tem sufocado o tráfico de drogas, principal fonte de financiamento de grupos criminosos, que estariam com dificuldades de caixa.