Novatas ficam com o espaço das tops no São Paulo Fashion Week

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Publicado terça-feira, 25 de janeiro de 2005 as 21:03, por: cdb

Até há pouco tempo, a estudante Jéssica Pauletto, de 14 anos, era fanática por internet. Vivia no Orkut, MSN, fotologs. Nos últimos dias, porém, os amigos andam reclamando. Ela não responde mais às mensagens.

– Eles dizem ‘você esqueceu da gente, esqueceu do fotolog’, mas realmente não dá tempo. Quando tenho uns minutinhos, prefiro dormir a ficar no computador – conta.

O cansaço tem explicação. Com apenas sete meses como modelo, Jéssica é a new face que mais subiu nas passarelas nesta São Paulo Fashion Week: 31 vezes, o recorde da edição.

Ela também é uma das mais cotadas para vencer o concurso Dream TIM, em que duas entre 29 modelos novatas serão escolhidas por público e formadores de opinião para estrelarem campanhas da empresa de telefonia.

– Antes era escola, cursinho de inglês, internet o dia inteiro. Agora não sei de onde tiro forças para agüentar. Tem dias que a gente chega em casa às 4 horas; em outros acorda às 5 para chegar a tempo ao desfile.

E o que faz para descansar?

– Não descanso. Tomo energético.

Engana-se, porém, quem acha que ela não está curtindo tanto movimento.

– Nem acredito em tudo o que está acontecendo, mas estou amando essas mudanças – apressa-se em contar a gaúcha de Bento Gonçalves, que foi descoberta num shopping por Dilson Stein, o mesmo que revelou Gisele Bündchen e Carol Trentini.

Tinha então 12 anos e já pensava em seguir carreira nas passarelas, mas os pais achavam arriscado.

Em maio, foi contratada pela agência Marilyn e, desde então, subiu 20 vezes nas passarelas do Fashion Rio e fez três editoriais de revista. Filha única, ela está em São Paulo acompanhada da mãe. O pai também aproveitou para visitá-la esta semana. Para se despedir. No domingo, Jéssica e a mãe seguem para Nova York e de lá para o Japão. A jovem modelo vai cheia de planos.

– Quero que, fora, minha carreira dê certo como está dando aqui, que eu faça campanhas boas, vários shows (desfiles) – diz.

Enquanto isso, guarda o dinheirinho que já faturou nos desfiles. Embora nem saiba ainda para quê.

– Quem sabe de repente tenho uma boa idéia para aplicar o dinheiro quando desistir da carreira de modelo – planeja.

Mais do que uma revelação, Jéssica é uma prova de que esta edição da São Paulo Fashion Week foi mesmo aquela em que as new faces roubaram espaço das tops. Em boa parte por causa do Dream TIM, um time de modelos novatas de várias agências, selecionadas por Paulo Borges e outros organizadores, que ficaram à disposição dos estilistas e tiveram todos os seus cachês pagos pela TIM. Como saíam de graça para os estilistas, acabaram sendo requisitadas para muito mais desfiles do que normalmente ocorre para uma new face.

A catarinense Monique Olsen, de 14 anos, por exemplo, participou de apenas quatro desfiles na edição passada. Nesta, marcou presença em 27. Da agência Mega Models, ela também faz parte do time bancado pela TIM.

– Acho que isso ajudou, embora tenha dado uma encorpada de seis meses para cá – conta.

Como Jéssica, ela também está entre as favoritas do concurso.

– Seria uma coisa a mais no meu currículo – anima-se.

– Mas, se não der, tudo bem. Vejo essa profissão como um mar infinito, com espaço para todas.

– Para as new faces, esse time foi ótimo, porque elas conseguiram mostrar mais a cara. Para as veteranas, que estavam acostumadas a fazer 20, 25 desfiles, foi ruim – avalia o booker da Elite, Abidon Kaifatch.

– As grifes preferiram investir em novos rostos, de cachês mais baixos.

 Geralmente, o cachê de uma new face como Jéssica ou Monique, o C, custa em torno de R$ 400, mais 20% de comissão da agência. Já os das tops não saem por menos de R$ 3 mil.

Para compensar, algumas tops fecharam contratos de exclusividade com alguma grife. A top Ana Beatriz Barros, por exemplo, desfilou para a Rosa Chá e vai fa