Nova York planeja aumentar a segurança caso a guerra comece

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 19:22, por: cdb

Para proteger a cidade de Nova York se e quando um ataque liderado pelos americanos começar, policiais prepararam um abrangente plano de segurança que inclui expandir a patrulha nas ruas e pedir que o Departamento de Defesa coloque nos ares aeronaves de combate, disse ontem um oficial de polícia.

A patrulha nas ruas – em prédios do governo, hotéis e igrejas assim como novos e reforçados postos de controle em túneis e pontes – é uma preocupação da polícia, que agressores agindo sozinhos representam um risco maior do que um ataque maior, e cuidadosamente planejado, à cidade.

O comissário de polícia Raymond W. Kelly resumiu ao prefeito Michael R. Bloomberg e a outras autoridades da cidade o plano conhecido como Operação Atlas, segundo o oficial de polícia que falou sob a condição de não fosse identificado.

A Operação Atlas irá custar mais de US$ 5 milhões por semana, afirmou o policial, acrescentando que autoridades policias tentaram convencer autoridades federais de que Nova York – que ainda tem uma lacuna no orçamento entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões pelo ano fiscal que começa em julho – deve ser tratada como uma caso especial quando se trata de auxílio federal para segurança.

“Isso envolve virtualmente cada agência e divisão do Departamento de Polícia e todos os seus equipamentos especializados e unidades”, disse o policial.

A Operação Atlas é o último passo dos esforços do Departamento de Polícia para proteger contra ameaças com as quais os departamentos de polícia locais tiveram pouca experiência no passado. O comissário Kelly criou uma nova agência anti-terrorismo e organizou a Divisão de Inteligência do departamento. Ele contratou um general da marinha aposentado para liderar a anterior e um ex-funcionário da Agência Central de Inteligência para liderar a mais recente. Ele também designou cerca de mil dos 36, 5 mil policiais do departamento para tarefas anti-terrorismo.

A operação inclui unidade de elite com nomes como “Hércules” – policiais de Unidades de Serviços Emergência, pesadamente armados treinados nos últimos meses para deter ataques terroristas – e “Arcanjo”, criada há três anos, que atuou na celebração do novo milênio, na virada de 1999 para 2000. Na noite de ano novo de 1999, cerca de oito mil policiais cobriram Times Square, uma ação maior que muitas realizadas pelos departamentos de polícia municipais do país.

A Operação Atlas incorpora elementos da Arcanjo que esquematiza métodos para responder aos atos terroristas, incluindo ataques químicos e biológicos. A operação também faria uso de unidades, chamadas e “equipes Martelo”, que lidam com incidentes envolvendo materiais perigosos. Essas equipes englobam pessoal dos departamentos de polícia e dos bombeiros.

O plano prevê que a polícia peça para o Departamento de Defesa enviar aviões de combate para patrulhar os céus da cidade e para a Administração de Aviação Federal restringir o espaço aéreo de Manhattan.

“Algumas das coisas que você já viu quando todo o país entrou em alerta laranja serão retomadas”, disse o policial, referindo-se ao alerta de ameaça anunciado no dia 7 de fevereiro, “mas em uma base mais permanente até o fim da guerra.”

O Departamento de Polícia foi recentemente informado por Rohan Gunaratna, especialista em terrorismo que estudou a Al-Qaeda por aproximadamente 10 anos. Gunaratna, pesquisador membro do Centro para Estudo do Terrorismo e Violência Política da Universidade de St. Andrews, em Fife, Escócia, voou de Nova York a Cingapura no dia 2 de março. O policial afirmou que Gunaratna sustenta que a Al-Qaeda foi seriamente dividida por militares americanos e por interferência da lei desse país e de outros, e duvida que a organização terrorista seja capaz de executar qualquer coisa nas dimensões do ataque de 11 de setembro, que envolveu o seqüestro de quatro aviões comerciais.

Mas Guanaratna expressou preocupação sobre homens-bomba suicidas e agressores individuais, disse o policial. Ele fez