Nova técnica promete detectar câncer de mama com maior precisão

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 10:37, por: cdb

Uma nova técnica promete detectar com maior precisão, e por meios menos invasivos, o câncer de mama.

Pesquisadores da Dobi Medical Systems, uma empresa americana, estão desenvolvendo um exame que pode evitar com que mulheres sejam submetidas a biópsias invasivas, depois de um caroço ser detectado pela tradicional mamografia.

Segundo especialistas, cerca de 70% a 90% das lesões detectadas pela mamografia acabam não sendo cancerosas – o que só é provado com a biópsia, ou retirada de uma parte do tecido do tumor com a ajuda de uma agulha.

O novo exame pode diminuir em até 70% a necessidade de se realizar um teste invasivo na mulher, garantem os cientistas.

Checagem

A empresa sugere que o novo exame seja feito para checar os resultados da mamografia.

O novo teste analisa a rede de vasos sangüíneos que alimentam os tumores de oxigênio e nutrientes. Quanto mais o tumor cresce, maior é a rede de vasos em volta dele.

O exame também é menos incômodo do que a mamografia, porque não espreme os seios em uma chapa metálica. Eles são apenas “fotografados” por uma câmera.

“O sangue absorve a luz vermelha. Então, se há um tumor, a área aparecerá como uma mancha mais escura”, explica Philip Thomas, da Dobi.

A empresa garante que o exame será mais barato do que a mamografia.

Falso-positivos

Pesquisas realizadas com 200 mulheres mostraram que os falso-positivos para o câncer de mama chegam ao índice de 70%.

Cientistas, no entanto, vêem a nova técnica com cautela.

Martin Yaffe, especialista em exames de câncer da Universidade de Toronto, diz que o desenvolvimento de alguns tipos agressivos de câncer não estão associados à proliferação de vasos sangüíneos, o que coloca em dúvida a abrangência da descoberta.

Ele afirma que a realização da biópsia, mesmo invasiva, é melhor do que arriscar a vida da mulher.

Stephen Duffy, do Centro de Pesquisas para o Câncer na Grã-Bretanha, diz que é preciso esperar mais testes com a nova técnica.

“Mas um exame menos invasivo e incômodo para mulher é sempre bem-vindo”, afirma.