Nova-iorquinos têm pouca coisa boa a dizer sobre sua cidade

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Publicado sábado, 14 de junho de 2003 as 10:16, por: cdb

Desanimados pela falta de empregos, aumento nos impostos e cortes nos serviços, os nova-iorquinos dizem que estão cada vez mais pessimistas em relação a sua cidade, segundo a última pesquisa do New York Times.

Este sentimento negativo parece ter colorido a visão dos nova-iorquinos no que se refere ao prefeito Michael R. Bloomberg. Apenas 24% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que aprovavam o trabalho que ele estava fazendo, menor taxa de aprovação para um prefeito desde que o “Times” começou a fazer pesquisas sobre a atuação de prefeitos em 1978. É uma queda de 7% desde janeiro.

Para quase todas as medidas, os habitantes da cidade têm uma visão pessimista da economia, da qualidade de vida na cidade e dos prospectos de Nova York. Quando solicitados a avaliar a condição da economia da cidade, 73% disseram que era ruim, e 62% disseram que a condição tinha um alto preço em suas vidas.

Dos entrevistados, 60% disseram que achavam que a vida na cidade havia ficado pior no último ano, comparado com 46% na pesquisa de janeiro.

As descobertas representam uma severa mudança de direção nos últimos dois anos em como os nova-iorquinos vêem a cidade e suas próprias vidas. Por exemplo, menos de um mês depois do ataque ao World Trade Center, em 2001, 54% pensavam que a cidade seria um lugar melhor para se viver em dez ou 15 anos. Um mês antes do ataque, os nova-iorquinos deram à cidade algumas de suas notas mais altas em 25 anos.

Entre os que participaram da pesquisa na semana passada, apenas 30% disseram acreditar que a cidade de Nova York seria um lugar melhor para se viver em dez ou 15 anos.

“Eles estão aumentando o preço da passagem de metrô, o aluguel, e os empregos estão diminuindo”, disse Belinda Butler, de Manhattan, que foi dispensada de seu emprego como gerente de escritório há seis meses.

Buter, 25 anos, disse em uma entrevista depois que a pesquisa foi conduzida, “Eu vejo que o número de empregos disponíveis está diminuindo, e vejo as mesmas posições em taxas menores, mas custa mais para viver na cidade, e isso realmente não ajuda”.

Preocupações sobre crime – historicamente uma alta prioridade entre os nova-iorquinos – não superaram as preocupações com a economia. Dos entrevistados, 19% disseram que gostariam de ver Bloomberg concentrar-se no desemprego, e apenas 5% quiseram que voltasse sua atenção para o crime. Em junho de 2002, 17% disseram que queriam que o prefeito se concentrasse no crime, e apenas 6% pediram por um foco no desemprego.

A pesquisa por telefone que abrangeu toda a cidade foi conduzida entre 962 adultos, da última sexta-feira até terça-feira. A margem de erro para todo o grupo é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

As pessoas pareceram ligar suas opiniões sobre o prefeito com seus próprios problemas financeiros. Por exemplo, entre os 59% que disseram ser mais difícil sobreviver com o dinheiro que ganham do que há um ano, 74% desaprovaram a atuação de Bloomberg. Entres os 59% que disseram que os cortes orçamentários propostos os prejudicavam pessoalmente, 74% também desaprovaram o trabalho que Bloomberg está fazendo.

Uma segunda etapa de entrevistas com as pessoas pesquisadas indicou que elas pareciam estar desconcertadas tanto pelas medidas que Bloomberg tomou para balancear o orçamento da cidade quanto por seu estilo pessoal, que tendem a não confrontar, a ser contidas e geralmente enigmáticas. E sua reputação de intruso – por nascimento ou por sua categoria de ingresso – parece persistir.

“Ele não é um nova-iorquino, e não é um lutador”, disse Stephanie Wilson, 50 anos, que vive no Bronxs. “Você tem que ser louco para administrar esta cidade porque somos um grupo de pessoas loucas. Você tem que derrubar as portas”.

“Rudy é louco, e ele era eficiente”, disse ela, referindo-se ao ex-prefeito Rudolph W. Giuliano. “Bloomberg não tem entusiasmo para realmente lidar com assuntos de uma maneira agressiva”.

Os nova-iorquinos parecem