Nova Iorque rejeita US$ 10 mi de príncipe saudita

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Publicado sexta-feira, 12 de outubro de 2001 as 10:30, por: cdb

O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, rejeitou, na quinta-feira, uma doação de 10 milhões de dólares feita pelo príncipe saudita Alwalid bin Talal para organizações de caridade.

Giuliani alegou que Alwalid teria sugerido que a política norte-americana para o Oriente Médio contribuiu para os atentados do dia 11 de setembro contra o World Trade Center e o Pentágono.

“Eu rejeito inteiramente essa declaração”, afirmou Giuliani. “Não há equivalente moral para esse ato (terrorista). Não existe nenhuma justificativa para isso. As pessoas que cometeram essa ação perderam qualquer direito de apresentar uma justificativa para o que fizeram quando mataram de 4.000 a 5.000 inocentes”.

O príncipe Alwalid entregou um cheque ao prefeito após uma cerimônia em memória das vítimas, na manhã de quinta-feira, na chamada Zona Zero, o local onde ficavam as torres do World Trade Center, pulverizadas pelo ataque.

O príncipe ofereceu suas condolências ao povo de Nova York, mas, após a cerimônia, divulgou uma declaração sugerindo que “em um momento como esse as pessoas têm que prestar atenção às questões que levaram a tal ataque criminoso”.

“O cheque não foi depositado. A Fundação das Torres Gêmeas – uma organização de caridade que dá apoio às vitimas do atentado – não o aceitou”, afirmou Giuliani.

A nota do príncipe diz que os Estados Unidos “devem reexaminar sua política para o Oriente Médio e adotar uma posição mais equilibrada em relação à causa palestina”.

“Apesar de as Nações Unidas terem aprovado décadas atrás as resoluções número 242 e 338, pedindo a retirada das forças de Israel da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, nossos irmãos palestinos continuam a ser massacrados nas mãos de israelenses enquanto o mundo vira o rosto”, acusa o texto.

Giuliani rejeitou a posição do príncipe.

“Sugerir que há justificativa para (ataques terroristas) apenas incentiva que (outros episódios desse tipo) ocorram no futuro”, lamentou. “É altamente irresponsável e muito, muito perigoso”.

“E uma das razões para isso ter acontecido é porque as pessoas se engajaram em uma equivalência moral que não compreende a diferença entre democracias liberais como os Estados Unidos, como Israel, e Estados terroristas e aqueles que toleram o terrorismo”, acrescentou o prefeito.

“Portanto eu não acredito apenas que essas declamações são errôneas, elas são também parte do problema”, encerrou.