Nova e mais intensa ofensiva é lançada pelos EUA contra o Iraque

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Publicado quinta-feira, 20 de março de 2003 as 20:39, por: cdb

Menos de 24 horas depois de tentar matar Saddam Hussein com o que chamou de “ataques de decapitação”, a coalizão militar liderada pelos EUA lançou nesta quinta-feira uma nova e mais intensa ofensiva contra o Iraque. A maior parte dos 72 mísseis Tomahawk e bombas guiadas por satélite teve como alvos edifícios do governo iraquiano e palácios residenciais de Saddam.

Ao mesmo tempo, soldados americanos e britânicos que estavam acampados no Kuwait iniciaram as operações por terra no Iraque, avançando sobre a cidade de Kuna (também conhecida como Umm Qasr), perto da fronteira. Fontes militares americanas anunciaram a tomada de Kuna, mas os iraquianos desmentiram a informação. A pequena cidade é importante estrategicamente para o lançamento de um ataque a Basra, pólo petrolífero iraquiano a 35 quilômetros de Kuna.

Quatro iraquianos morreram e vários ficaram feridos nos bombardeios aéreos lançados contra Bagdá e outras cidades do Iraque, onde vários edifícios civis e governamentais foram destruídos, segundo informação da televisão iraquiana.

A emissora, que citou um comunicado do Comando Geral das Forças Armadas do Iraque, afirmou que as bombas “tiveram como alvo o centro e o oeste de Bagdá, entre outras cidades”.

Um míssil atingiu o palácio onde vive a mulher, Zayda Jeirula, e três filhas de Saddam, no centro de Bagdá. As fontes iraquianas disseram que nenhum membro da família do ditador foi ferido nos ataques lançados até agora. Mas a chuva de mísseis sobre Bagdá provocou um grande incêndio na sede do Ministério de Informação e Planejamento, primeiro edifício oficial atingido pelos bombardeios.

Ainda de acordo com a TV iraquiana, “as Forças Armadas, milicianos do Partido Baath (de Saddam) e membros de tribos iraquianas repeliram os ataques de unidades terrestres americanas e britânicas em Akashat, no noroeste do Iraque, e Al Najib, perto da fronteira com a Arábia Saudita”.

Em conseqüência do segundo ataque contra Bagdá em 15 horas, vários edifícios estão em chamas nas margens dos rios Tigre e Eufrates, na área da capital iraquiana, que foi alvo da nova ofensiva.

Outro edifício atingido foi o gabinete do vice-primeiro-ministro iraquiano, Tarek Aziz.

Apesar de mais intenso e contundente do que a primeira onda de ataques, o bombardeio desta quinta-feira também esteve longe dos anunciados planos do Pentágono de despejar 3 mil bombas em 24 horas sobre o Iraque – estratégia denominada pelos oficiais americanos de “chocar e pasmar”, destinada a demonstrar o poderio militar dos EUA e intimidar as forças inimigas.

Fontes do governo americano, no entanto, disseram nesta quinta-feira em Washington que a estratégia de bombardeio maciço estava suspensa temporariamente. Essas mesmas fontes deram a entender que a tática de “chocar e pasmar” poderia elevar demasiadamente o custo da guerra e a cifra de baixas, num conflito cuja legitimidade é questionada pela comunidade internacional.

Por esse raciocínio, a tentativa de utilizar ataques de mísseis e bombas em menor escala possibilitaria a oportunidade de eliminar membros da liderança iraquiana em seus bunkers.

Os alarmes antiaéreos soaram também nesta quinta-feira na cidade setentrional de Mosul, cerca de 400 quilômetros ao norte de Bagdá, e última fortificação do regime de Saddam Hussein antes de chegar ao Curdistão iraquiano.