Nobel de economia, Stiglitz repreende FMI, elogia Lula e critica Bush

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Publicado sábado, 28 de junho de 2003 as 21:46, por: cdb

As políticas aplicadas no Brasil e na Argentina são exemplos opostos da influência do FMI na América Latina, onde a redução drástica do crescimento abriu passo à pobreza e ao desemprego acentuados, afirma o economista americano Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de 2001.

Stiglitz destacou no panorama latino-americano o caso da Argentina, o “aluno de honra do FMI”, que se tornou também “o maior desastre da região”.

Ele lembra que isso aconteceu porque o Fundo obrigou o Governo argentino a aplicar uma política de contração em meio à recessão, enquanto agora, sem nenhuma ajuda do FMI e enfrentando suas críticas, o país começa a crescer.

Por outro lado, Stiglitz acredita que o Brasil é um bom exemplo de como a ajuda do FMI, no momento e na medida adequada, pode ser muito benéfica.

O economista avalia a capacidade política do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que segundo ele conseguiu restaurar a confiança nos mercados aplicando uma estratégia econômica relativamente conservadora, com taxas de juros muito altas e sem elevar o gasto social como desejavam seus partidários.

Só que Lula acredita que, se as taxas caírem, contará com mais fundos para políticas sociais, já Stiglitz afirma que isto torna a economia brasileira muito vulnerável às mudanças dos mercados de capitais e diz que “seria uma pena” que, por questões externas, o presidente do Brasil não conseguisse levar adiante sua “agenda social”.

Para a Venezuela, Stiglitz vê um sinal de esperança, já que começa a se admitir que, se o desejo é levantar o país, é preciso adotar mudanças, de modo que a enorme riqueza proveniente do petróleo possa ser repartida entre a população.

Stiglitz provocou uma grande polêmica com a publicação no ano passado de “O mal-estar da globalização”, no qual critica de forma dura o funcionamento das instituições financeiras internacionais como o FMI, o Banco Mundial – cuja vice-presidência ocupou de 1997 a 1999 – e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Stiglitz não se vê como um “dissidente” ou um rebelde e afirma que o problema das grandes instituições é que seus principais dirigentes se esquecem dos objetivos originais. No caso do FMI, promover a estabilidade financeira, e, no do Banco Mundial, reduzir a pobreza.

Stiglitz considera um “desastre” a política econômica do Governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e afirma que previu que o corte de impostos de 2001 não estimularia a atividade econômica, mas só beneficiaria os mais ricos e aumentaria o déficit, tudo o que acabou acontecendo, afirma.

O economista também critica o fato de o Governo dos Estados Unidos fazer “o mínimo” para punir os grandes escândalos financeiros e contábeis que aconteceram no ano passado e, em matéria energética, aumentou a dependência das exportações.