No Paraguai, nota demonstra cinismo do PLRA

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 27 de junho de 2012 as 09:28, por: cdb

O Partido Liberal Radical Autêntico, do novo presidente do Paraguai, Federico Franco, suspendeu manifestação prevista para as 18h desta 4ª feira na qual ia defender a legitimidade do novo governo formado após o impeachment de Fernando Lugo na 6ª passada. Em nota assinada pelo secretario nacional do partido, Blas Llano, o PLRA diz que a decisão foi tomada por unanimidade pelo diretório após o novo ministro do Interior, Carmelo Caballero, ter sido informado de que apoiadores de Lugo estariam planejando uma manifestação no mesmo local, a Praça de Armas, palco dos protestos contra o impeachment, para “produzir algum tipo de distúrbio e de enfrentamentos”.

O cinismo da nota do partido radical não tem limites. Derrubam o presidente e agora querem que o povo paraguaio e o mundo inteiro aceitem a encenação que aramaram sem resistência e sem luta. Como escrevi ontem, está acontecendo justamente o contrário. As mobilizações dentro e fora do Paraguai ainda estão apenas começando.

O texto da nota diz, ainda, que “também se produziram Informes de inteligência da segurança interna de que (apoiadores do ex-presidente) poderiam chegar infiltrados e armados à mobilização. Optamos pela suspensão e por evitar assim atos de violência que deem à comunidade internacional o pretexto para insistir nas críticas contra a legalidade e a legitimidade do atual governo”, afirma Llano na nota.  Llano é pré-candidato do partido à presidência daqui a 9 meses, em 21 de abril.

Concentrados diante da TV pública paraguaia, apoiadores de Lugo, liderados pela Frente pela Defesa da Democracia planejam uma série de mobilizações pelo país nesta 4ª feira, às quais estão se juntando movimentos sociais e camponeses.

O novo governo do Paraguai está isolado regionalmente, depois que Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Uruguai retiraram ou chamaram para consultas seus embaixadores em Assunção. A pressão da região é extremamente prejudicial à já pobre economia do Paraguai, que depende dos portos de seus vizinhos Argentina, Brasil e Uruguai para o transporte e o abastecimento, além das exportações.

Governo Brasileiro

O governo brasileiro já adiantou que não tomará medidas que “afetem o povo irmão paraguaio”. O Uruguai também afirmou que não adotará sanções econômicas. A Venezuela anunciou a interrupção do envio de petróleo ao Paraguai. O novo chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, que tentou sem sucesso fazer contato com seus pares da região, disse que nem sequer o diplomata responsável pela embaixada da Argentina em Assunção o atendeu pelo telefone.

A Alemanha afirmou que a Europa está seguindo com preocupação os acontecimentos no Paraguai. Os EUA, por sua vez, informaram que a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, conversou com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota. “Estamos muito preocupados pela velocidade do processo utilizado para esse impeachment”, disse em entrevista coletiva a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

No Brasil, o que os apoiadores do novo governo conseguiram até aqui foi que o ex-presidente Fernando Collor fosse à tribuna do Senado defender o processo de impeachment, utilizado pelos parlamentares paraguaios para disfarçar o golpe branco que promoveram e as manifestações, já esperadas, de parte da imprensa criticando as ações dos governos.