Ninguém mais segura Bush

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 17:06, por: cdb

Ainda na manhã desta segunda-feira, o ministro frances das relações exteriores, Dominique de Villepin, reafirmava numa entrevista para uma rádio francesa, ser possível evitar a guerra. Porém, diante da pressa americana, apoiada por dois países europeus e do movimento antifrancês nos EUA, reafirmou também a amizade da França com os EUA, enfatizando haver divergência de opinião, mas não inimizade.

Na verdade, os EUA e a França, colocados em situações opostas, como num jogo de pôquer, pagaram para ver. E todos vão ver suas cartas, à noite, com a reunião do Conselho de Segurança. Bush quer ver se a França vota mesmo contra os EUA. A França quer ver se os EUA vão mesmo para a guerra, passando por cima da ONU e da opinião mundial. Tanto Chirac como Bush vão ter sua curiosidade satisfeita – Bush verá que a França votará mesmo contra os EUA e usará do veto se for preciso; Chirac verá que ninguém mais segura Bush e que a guerra será declarada talvez ainda hoje à noite, dando-se alguns dias para os inspetores da ONU saírem do Iraque.

Dominique de Villepin falou ainda pela manhã, que a ONU deverá participar do após-guerra. O após-guerra não será fácil. Dificilmente, os iraquianos aceitarão uma ocupação estrangeira, mesmo Saddam Hussein sendo um ditador autoritário. Levar a democracia nos moldes americanos ao Iraque e ao Oriente Médio pode se mostrar impossível. Trata-se de um problema de compatibilidade, de cultura e de estrutura dos países do Oriente Médio. A guerra poderá ter um efeito oposto.

O fim dos esforço diplomáticos pela paz, segundo os franceses, aconteceu às quatro da tarde, meio-dia aí no Brasil, com a reunião do Conselho de Segurança.

Na hora do racha quem dos pequenos países terá coragem de votar contra os EUA?