Nicole Kidman abriu o primeiro Festival Internacional de Cinema de Roma

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Publicado sexta-feira, 13 de outubro de 2006 as 20:05, por: cdb

Nicole Kidman, de acordo com a agência de notícias Reuters, abriu o primeiro Festival Internacional de Cinema de Roma com um retrato intenso da fotógrafa Diane Arbus, que chocou os Estados Unidos na década de 1960 com seus retratos perturbadores de pessoas às margens da sociedade.

Fur, do diretor Steven Shainberg, mistura realidade com fantasia para mostrar a transformação de Arbus, de esposa chique e reprimida de um fotógrafo de moda a uma das artistas mais ousadas de sua época.

A metamorfose é acompanhada através da amizade íntima de Arbus com seu bizarro vizinho Lionel, representado por Robert Downey Jr., cujo corpo é completamente recoberto de pêlos devido a um problema médico.

Como a maioria dos eventos e personagens do filme, que é baseado aproximadamente na biografia da fotógrafa escrita por Patricia Bosworth, o relacionamento entre eles é inventado.

– Não é uma biografia -, disse Kidman a jornalistas após a sessão em que Fur foi exibido para a imprensa. O filme faz sua estréia em Roma nesta sexta-feira.

– É mais sobre a pessoa mergulhar em sua própria criatividade, descobrir como ela é por dentro e o que ela quer dizer ao mundo -, disse.

Arbus se tornou um ícone da fotografia moderna por seus retratos inovadores de um mundo de pessoas marginais. Entre seus temas favoritos estavam anões, gigantes, prostitutas, travestis, sem-tetos e doentes mentais.

– Do mesmo modo que atuar é algo que está no sangue da pessoa, a arte, seja lá isso o que for, está no sangue da pessoa desde o momento em que ela nasce -, disse Kidman, acrescentando: “Arbus tinha isso.”

Shainberg, cujo tio foi amigo íntimo de Diane Arbus, disse que cresceu com as fotos dela penduradas nas paredes de sua casa, numa época em que a fotógrafa lutava para conquistar reconhecimento para sua arte pouco convencional.

ENCAIXOTADA

Já adulto, o diretor começou a colecionar as fotos de Arbus e durante anos alimentou a idéia de fazer um filme sobre ela.

– O que é tão fascinante nela é que ela foi uma personalidade que explodiu aos 35 anos de idade. Até então, essa inteligência inacreditavelmente poética, complicada e misteriosa viveu encaixotada numa espécie de caixa de aço interior -, disse Shainberg.

– No filme, você sente a necessidade dela de abrir a porta e sair para o mundo, de viver a vida como ela queria -, disse o diretor, cujos trabalhos anteriores incluem o aclamado pela crítica A Secretária.

Kidman disse que foi “uma experiência espiritual profunda” interpretar um personagem real, especialmente uma pessoa tão talentosa e atormentada quanto Diane Arbus, que cometeu suicídio em 1971, aos 48 anos de idade.

A atriz australiana, que ganhou um Oscar pelo papel da escritora Virginia Woolf em As Horas, de 2002, observou que tanto Arbus quanto Woolf tiraram suas próprias vidas.  – Personagens como essas deixam uma marca em você -, disse ela.