Não quero fazer do Rio a Disneylândia das drogas, diz Cabral

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Publicado terça-feira, 6 de março de 2007 as 11:22, por: cdb

– Ninguém está propondo transformar o Rio na Disneylândia das drogas. Com essa declaração, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a defender uma discussão a respeito da descriminalização das drogas.

Segundo ele, é um debate que deve envolver especialistas e toda a sociedade. Cabral diz que, pessoalmente, é a favor da descriminalização de drogas consideradas leves, como a maconha.

– Os Estados Unidos gastaram cem bilhões de dólares no últimos anos no combate às drogas. Deu certo? A demanda diminuiu? Eles não provocaram essa discussão – questionou.

A discussão, segundo o governador, é ainda mais ampla, devendo ser feita em nível internacional. – Ninguém está propondo transformar o Rio na Disneylândia das drogas. Essa é uma discussão que tem que ser feita em instituições como a Organização Mundial de Saúde – avalia.

– A gente vê pessoas se matando por conta da venda de drogas proibidas. È preciso se discutir a relação custo benefício desta estrutura que coloca as drogas como ilegais. Eu não estou dizendo que elas não fazem mal. Mas quantas pessoas morreram por overdose e quantas na luta pela venda de drogas? Essas são perguntas que têm que ser feitas – enfatizou ele.

Cabral foi o relator no Senado do projeto da nova lei sobre drogas, sancionada em agosto. Em vez de prisão para os usuários, a Lei 11.343 prevê penas alternativas, inclusive multas e serviços de assistência social. Já para o tráfico de drogas, as sanções foram intensificadas e ficaram mais severas.

O governador declarou-se favorável também à legalização do jogo do bicho e contrário a qualquer iniciativa de fechar as casas de bingo do País. Cabral defende a tese de que combater o jogo do bicho, o aborto e o uso de drogas leves faz o Estado gastar dinheiro e é como ‘enxugar gelo’.
 
Cabral lembrou que, tanto nas drogas como no jogo do bicho, há corrupção policial e envolvimento de políticos. Ele revelou que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, está preparando operações para combater a participação de policiais nessas atividades. – Estamos com uma série de operações para serem iniciadas no intestino da polícia, para enfrentar a corrupção – disse.
 
Sobre as casas de bingo, Cabral lembrou que foi contrário à proibição do jogo do bingo, na época em que o assunto foi debatido no Senado, por causa dos empregos gerados e pelo fato de que a ‘terceira idade adora’.
 
Cabral afirmou que não tem medo de tema polêmico e deu como exemplo a defesa de pagamento de pensão a parceiros homossexuais de servidores estaduais. – Quando fui presidente da Assembléia Legislativa, defendi essa medida e ouvi ameaças de líderes religiosos que não iria me eleger senador. No ano seguinte, ganhei com 4,2 milhões de votos – lembrou ele.