Não há desenvolvimento sem transformação produtiva, diz Roberto Requião 

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Publicado quinta-feira, 24 de março de 2011 as 15:16, por: cdb

Em pronunciamento nesta quinta-feira (24), durante sessão em homenagem aos 20 anos do Mercosul, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) lembrou o economista e ex-ministro da Economia argentino Aldo Ferrer para dizer que não há desenvolvimento nacional sem transformação produtiva e sem ciência e tecnologia.

– Todas as reflexões sobre o pensamento latino-americano, dizia Aldo Ferrer, conduzem-nos a entender que o desenvolvimento implica um processo de transformação da estrutura produtiva, incluindo aí a industrialização e a incorporação no tecido econômico das atividades portadoras do conhecimento, da ciência e da tecnologia – afirmou Requião.

O economista argentino, disse o senador, ressalta ainda que é impossível realizar esse processo de transformação atendo-se tão simplesmente à produção primária, às commodities. Ferrer lembra ainda que a economia interna e os recursos próprios são fontes fundadoras das transformações econômicas e sociais. E que a contribuição externa, o crédito e os investimentos internacionais são complementares, jamais substitutivos da econômica nacional.

– Não é à toa que os países com as maiores taxas de investimentos são os que exibem a maior participação da economia própria na acumulação da poupança interna – disse Requião, ao reproduzir o pensamento do economista argentino.

Ferrer, disse Requião, lamentava que os países latinoamericanos tivessem se afastado desse pensamento e praticado exatamente o oposto, aceitando que o mundo está globalizado, que o poder está centralizado em reduzido número de países e mercados, que a única saída seria adaptar-se a isso, já que não teríamos poder nacional, em virtude dessa concentração de poder mundial.

– Quer dizer, em um mundo assim, não haveria mais espaço para projetos e sonhos nacionais, apenas para a suserania – afirmou Requião.

A aceitação desse receituário, segundo Requião, arruína os países latinoamericanos com privatizações indiscriminadas, desregulamentações criminosas e submissão à especulação financeira.

Da Redação / Agência Senado