Não às drogas, mãos à obra

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Publicado quarta-feira, 10 de maio de 2006 as 22:25, por: cdb

A política nacional de segurança pública que a população brasileira aguarda, há décadas, e deseja ver implantada urgentemente, para que sejam desencadeadas as inadiáveis ações de contenção da criminalidade crescente em todo o país, não poderá prescindir de uma campanha de conscientização em massa nos veículos de comunicação.

O tema: Os riscos oferecidos pelo uso de drogas.

Investimentos maciços em mensagens destinadas à prevenção às drogas devem ser encarados, prioritariamente, como uma questão de saúde pública. As campanhas contra o tabagismo, que reduziram, significativamente, em todo o mundo, o número de fumantes – usuários, aliás, de um tipo de droga lícita – são a prova incontestável de que a massificação do fornecimento de informações sobre as mazelas geradas pelo consumo das drogas ilícitas poderá ser capaz diminuí-lo.

Tais campanhas devem ser complementadas com outras cuja mensagem principal consista em conscientizar os consumidores de que o dinheiro gasto na compra de drogas fortalece,  financeiramente, os traficantes. Eles precisam saber que os recursos deixados nas bocas-de-fumo são empregados na encomenda de novas remessas de drogas, as mesmas drogas produzidas nos países vizinhos e na compra de armamentos pesados neles contrabandeados.

As armas são usadas pelos traficantes para enfrentar o braço armado do Estado (as polícias) e eliminar os criminosos com os quais disputam o controle do comércio das drogas, numa guerra sangrenta que vitima, também, cidadãos inocentes, sobretudo aqueles que integram os grandes contingentes populacionais concentrados nas favelas e periferias do país.

O combate ao tráfico de drogas – maior flagelo da sociedade contemporânea – exige ações preventivas e repressivas. No campo da prevenção, é preciso estimular o incremento de iniciativas como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O Proerd, que recebeu forte apoio da Secretaria de Segurança Pública em 2005, consiste em enviar PMs formados pelo programa às escolas, para alertar aos alunos da importância de se manterem distantes das drogas.

No terreno da repressão, todos aqueles que têm co-responsabilidade pela garantia da ordem pública (polícias estaduais, federais e forças armadas) devem cumprir, de forma integrada, o que lhes determina a Constituição Federal. O crime, sobretudo o tráfico de drogas, tem que ser combatido, simultaneamente e sem trégua, nas esquinas de cada cidade, nas estradas que atravessam o país e nas fronteiras com os países dos quais vêm as drogas e armas que viciam e matam, principalmente, os nossos jovens.

Marcelo Itagiba é delegado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança Pública do Estado do RJ