Não ao tráfico de pessoas: Curso de formação para multiplicadoras

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Publicado terça-feira, 6 de setembro de 2011 as 11:14, por: cdb

Esse finalde semana, da Arquidiocese de Fortaleza, foi marcado por dois grandesencontros. Igreja, sociedade e poder público unidos para refletirem e proporemações para a erradicação do tráfico de pessoas e do trabalho escravo no Ceará.

Participantes do estudo sobre o Enfrentamento
e Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos

Com a proposta de entender a dimensãoatual do tráfico de pessoas no Ceará, a rede “Um Grito pela Vida”, realizou de2 a 4 de setembro, na Casa da Ir. Iolanda (Henrique Jorge) o Curso de Formaçãode Multiplicadores para Prevenção e enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.Estudantes de jornalismo, de serviço social e turismo, religiosas, agente depastorais e o poder público participaram do evento. “Temos que fazer oinvisível torna-se visível. As pessoas precisam entender a dimensão que é otráfico de pessoas”, enfatiza a articulação da rede.

Para a representante do Núcleo deEnfrentamento e Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos e Assistência às Vítimasdo Estado do Ceará, Andréia Costa o “turismo sexual é uma porta aberta para otráfico de pessoas”. Esclarece que o tráfico de pessoas se configura desdepegar uma jovem do interior e colocá-la para realizar trabalhos domésticos nacidade, privando seus direitos e liberdade. “São exemplos como esse quedemonstra que tráfico de pessoas está ligado ao trabalho escravo”, destaca.

Segundo a rede “Um Grito pela Vida”,as maiores vítimas do tráfico de pessoas são mulheres na prostituição,homossexuais e travesti. Isso porque a vítima não vê e não entende isso comocrime. “Não tem como você saber quem está sendo vítima de tráfico de pessoas. Éigual à violência doméstica. É silenciosa e carregada de preconceitos”, comentaAndréia Costa.

Em outro ponto da Arquidiocese, emHorizonte, um grupo articulado pela Pastoral do Migrante e a Comissão Pastoralda Terra do Regional Nordeste 1 da CNBB, se encontraram para refletirem sobre oque é trabalho escravo e partilharem sobre a realidade no Ceará. “Precisamosentender que trabalho escravo é aquele que priva a liberdade e coloca otrabalhador em situação degradante. Hoje ele está também nas cidades dentro dasfábricas, na construção civil e no trabalho informal”, ressalta Thiago Valentimcoordenador da CPT-Ne1.

Participantes do Seminário Mutirão Pastoral
contra o Trabalho Escravo

O objetivo do Seminário MutirãoPastoral contra o Trabalho Escravo é criar uma articulação do Mutirão noRegional Nordeste 1. “Precisamos dessa articulação aqui no Ceará. Pois, otrabalho escravo é uma realidade que atinge toda a sociedade. Precisamos deconscientização do quê é o trabalho escravo para poder denunciar”, enfatizaThiago Valentim. Quem desejar realizar uma denúncia deve procurar aSuperintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) ou o Ministério Públicodo Trabalho (MPT).

SAIBA MAIS

A rede “Um Grito pela Vida” (desdemarço de 2006) é um espaço de articulação e ação solidária da vida ReligiosaConsagrada no Brasil. É parte constitutiva da Conferência Nacional dosReligiosos do Brasil (CRB). Seu objetivo é sensibilizar e socializarinformações sobre o Tráfico de Pessoas; capacitar multiplicadores para açõeseducativas de prevenção e assistência e intensificar a luta por políticaspúblicas de enfrentamento desta realidade. O núcleo de Fortaleza se reuni todaprimeira quinta-feira de cada mês, na sede da CRB (Rua Major Facundo, 1621 –Centro. Contato: (85) 3253.2170). Informações acesse: www.redeumgritopelavida.blogspot.com

O Mutirão Pastoral para Superação doTrabalho Escravo faz parte do GT (Grupo Temático) criado pela CNBB. Éarticulado pela CPT Nacional sob a coordenação do Padre Ari Antônio dos Reis.Este ano foi enviado para as Dioceses do Ceará um Kit informativo, composto porcartaz, cartilha e um DVD com três vídeos que exemplificam como acontece otrabalho escravo no Brasil. O Kit foi direcionado para os Bispos com o objetivode se criarem atividades que venham a superar a realidade do trabalho escravoem suas dioceses.

FRASES

“O encontro vem trazer um despertarpara o que é o tráfico. Tirar o conceito de que tráfico é só droga. Precisamosentender que existem outros tipos de tráficos, inclusive de pessoas. E isso éuma realidade. Por detrás de um convite de trabalho pode estar camuflado otráfico de pessoas. Precisamos estar alerta e denunciar”. (Vera Lúcia do Carmo– Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de Fortaleza).

“Antes o Brasil era exportador detráfico de pessoas. Hoje ele já recebe”. (rede Um grito pela Vida).
“A prevenção é sim a ação maisimportante. Precisamos de multiplicadores para estarem na ponta da sociedade,alertando, educando e denunciando”. (Andréia Costa – TSH – CE).
“Um curso como esse, mostra para asociedade que existe um trabalho possível, e que ela pode participar”. (rede Umgrito pela Vida).
“O trabalho escravo estar dentro dotráfico de pessoas. A partir do tráfico de pessoas, o indivíduo (pessoa) écolocado como trabalhador em situação de escravidão”. (Thiago Valentimcoordenador da CPT – Ne1).
“Os casos registrados de trabalhoescravo no Ceará são poucos, comparados com outros Estados. Porém, isso nãosignifica que não existam outras situações do trabalho escravo no Ceará. O fatoé que não há denúncia”.(Thiago Valentim coordenador da CPT-Ne1).

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