Nada detém avanço das forças aliadas em direção a Bagdá

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 17:24, por: cdb

O avanço das forças aliadas em direção a Bagdá continua, e dá a impressão que não é mais rápido apenas por razões estratégicas, como pode ser a necessidade de garantir o completo controle das instalações petrolíferas para evitar sabotagens.

Fontes militares britânicas disseram que as forças anglo-americanas tomaram totalmente a estratégica península de Fao, no sul iraquiano, e o porto de Um Qasar, através do qual o Iraque tem a única saída para o mar e onde se concentram a maioria das refinarias e os principais oleodutos.

A tomada de Um Qasar aconteceu em duas etapas: militares da Força Expedicionária da Infantaria da Marinha dos Estados Unidos tomaram o controle do novo porto dessa cidade, enquanto que os “Royal Marines” britânicos se apoderaram do porto antigo, a 1,6 quilômetro de distância do anterior.

Em qualquer caso, a prioridade máxima destas unidades é assegurar o controle das instalações petroleiras da área, vitais para a provisão energética do Iraque, e evitar qualquer sabotagem por parte das tropas iraquianas.

Fontes militares aliadas comentaram que não foi possível evitar o incêndio de 30 poços de petróleo em diversos pontos da região meridional do Iraque.

Segundo fontes britânicas, “um número significativo” de soldados iraquianos foram feitos prisioneiros depois da queda de Um Qasar.

Outras fontes aliadas apontam que o número de prisioneiros iraquianos poderia subir para 280, dos quais 250 se renderam à Infantaria da Marinha americana e os 30 restantes às tropas britânicas.

Uma vez dominado Um Qasar, o alvo destas forças é a cidade de Basora, uma das mais importantes da região meridional iraquiana e de extraordinária importância estratégica, tanto por sua condição de ponta-de-lança do comércio e do transporte de petróleo para o interior do Iraque, como por ser o principal centro da comunidade xiita do país e possui um milhão e meio de habitantes.

Além disso, continua o avanço das forças blindadas terrestres americanas em direção a Bagdá, embora com maior lentidão que o previsto, pois estão encontrando forte resistência entorno da cidade de Nasiriyah, a cem quilômetros ao norte de Basora, na margem leste do Eufrates.

Os observadores e diversos analistas militares acreditam que na região meridional do Iraque está concentrada a parte mais seleta do Exército iraquiano, particularmente a Guarda Republicana, cujo Corpo Especial, integrado por 10.000 soldados, e formado por tropas bem treinadas e de provada fidelidade ao presidente Saddam Hussein.

Dada a rapidez do avanço inicial, no qual a coluna blindada penetrou 150 quilômetros do território iraquiano, fontes militares aliadas tinham conjecturado que a vanguarda dessas forças pudessem estar nos arredores de Bagdá num prazo de três ou quatro dias.

De fato, fontes americanas disseram esta tarde que o Terceiro Esquadrão do Sétimo Regimento de Cavalaria estava se dirigindo rapidamente para Bagdá.

Por outro lado, fontes militares da Austrália, país que aporta à coalizão um pequeno contingente de 2.000 soldados de elite, manifestaram que militares de suas forças especiais tinham se apoderado de uma embarcação iraquiana carregada de minas submarinas.

Fontes aliadas destacaram que o alvo principal da denominada “Operação Liberdade para o Iraque” é a estrutura do comando do Iraque, por isso coloca com muito cuidado quando ressalta que estão tentando preservar o máximo possível da infra-estrutura petrolífera do país.

Não existe intenção de demolir o Iraque, mas de derrubar o regime de Saddam Hussein causando o menor dano possível, afirmaram as fontes.

No entanto, os observadores disseram que esta declaração de intenções se contradiz com as últimas manifestações do Pentágono dizendo que nesta sexta-feira começa verdadeiramente a guerra e que a fase de “golpear e atemorizar” chegou, o que para isto começaram a recorrer aos superbombardeios B-52, oito dos quais decolaram esta tarde de uma base no sul da Inglaterra.

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