Na Líbia continua a hipocrisia EUA/potências

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Publicado quarta-feira, 23 de março de 2011 as 13:35, por: cdb

Atenção meus amigos leitores: é muito esquisito o Brasil, depois de resistir no Conselho de Segurança da ONU e se abster (6ª passada) na votação sobre a “zona de exclusão aérea” – novo nome para a invasão e bombardeio à Líbia – junto com os outros 3 BRICs (Rússia, China e Índia), mais a Alemanha, ser agora o 1º a admitir a deposição do presidente Muamar Kaddhafi.

A gente – e o leitor –  fica sem entender essas declarações do nosso ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, transformadas nessa manchete da 1ª página da Folha de S.Paulo hoje – “Pela 1ª vez, Brasil apoia a saída de ditador líbio”.

A serem verdadeiras, são muito preocupantes as declarações do chanceler Patriota. Se nem a Resolução 1973 (que instituiu a “zona de exclusão aérea” na 6ª feira) autoriza a deposição do presidente líbio, por que falar em transição – “transição benigna na Líbia”, como a Folha diz que o ministro propôs?

Resolução não fala de invasão nem de deposição

Mas, não fiquem só na manchete, leiam, também, a matéria dentro do jornal. Vão descobrir que o ministro não falou nada disso (a própria Folha reconhece que ele não citou Líbia e Muamar Kaddhafi) e que pode ter havido uma tremenda forçada de barra do jornalão.

E na verdade, o que continuamos assistindo é pura hipocrisia e jogo de poder, seja na Líbia, seja no Bahrein e no Iêmen. Nos dois últimos países, o emirado do Qatar e o reino da Arábia Saudita – portanto, leia-se, os Estados Unidos – garantem o poder dos ditadores e ainda estimulam a guerra religiosa entre sunitas e xiitas.

Como ficamos? Até quando esta encenação vai continuar, com os Estados Unidos deixando a Europa fazer o trabalho sujo na Líbia, estimulando o assassinato de Kaddhafi e a invasão camuflada do país a partir de um embargo naval e aéreo? Sim, porque é isto o aprovado pela Resolução 1973 pela qual a ONU chancelou a chamada – a que foi, sem nunca ter sido – “zona de exclusão aérea”. Na prática, tornou-se uma invasão real do país.

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