Na comemoração do Dia Nacional do Circo artistas pedem mais apoio ao espetáculo

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Publicado domingo, 27 de março de 2011 as 09:05, por: cdb
Palhaços e crianças são partes indissociáveis do mundo circense
Palhaços e crianças são partes indissociáveis do mundo circense

Artistas e representantes de entidades ligadas ao circo afirmam que mesmo com a concorrência de outras opções de cultura e entretenimento existentes hoje, não falta público aos espetáculos circenses. Ainda assim, no Dia Nacional do Circo, comemorado neste domingo, eles pedem mais apoio governamental à categoria, principalmente por parte de prefeituras e Estados.

Segundo a diretora-presidente da Academia Brasileira do Circo e vice-presidente da União Brasileira de Circos, Marlene Querubim, os cerca de 2,5 mil circos em atividade no país chegam a atingir um público mensal estimado em 1 milhão de espectadores, empregando cerca de 35 mil profissionais direto.

– O circo é a maior casa de espetáculos do Brasil. Porque ele consegue chegar em lugares onde o cinema, o teatro e outros espetáculos não conseguem – afirma Marlene, que dirige os circos Spacial e dos Sonhos.

A ideia de que o circo um dia possa se tornar inviável por falta de público é descartada pelo presidente da Associação Brasileira de Circo (Abracirco), Camilo Torres. Para ele, apesar das muitas dificuldades, a atividade transmitida de geração em geração não está sequer ameaçada.

– Mesmo com as várias formas de entretenimento hoje existentes, o circo ainda encanta. O lúdico, o imaginário, a fantasia, a graça de um palhaço, a pirueta de um malabarista, o talento de um trapezista ou acrobata ainda são muito fortes e fazem parte do imaginário popular – reclamando, contudo, da falta de uma política nacional que abranja todo o segmento circense e de maior apoio por parte das secretarias municipais de cultura.

Entre os problemas mais citados pelos vários entrevistados estão a falta de locais apropriados nas cidades onde se apresentam, excesso de burocracia e, consequentemente, da demora na liberação de documentos e na instalação de serviços como água e luz, além dos valores das taxas cobradas.

Administradora do Circo Internazionale di Napoli, Pollyana Pinheiro, reclama da falta de estrutura na maioria das cidades por que passa e dos custos.

– Na maioria dos locais a que vamos acabamos em terrenos particulares. Chegamos a pagar até R$ 30 mil de aluguel por mês. Precisamos fazer muitas apresentações para pagar isso e às vezes não conseguimos sequer cobrir as despesas. Tentamos não repassar estes custos para o preço dos ingressos, mas se não tivéssemos que pagar tantas taxas eles poderiam ser mais baratos – pondera.

Outra queixa comum diz respeito aos mecanismos públicos de financiamento da atividade. Para Torres, houve avanços recentes, mas eles ainda são insuficientes. Entre as conquistas, Camilo cita o fortalecimento de prêmios de estímulo às artes circenses, como o Carequinha, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e de programas estaduais de incentivo a artistas e grupos circenses, como os existentes, por exemplo, em São Paulo e Minas Gerais.

– Embora os valores ainda estejam aquém das reais necessidades da categoria e, em geral, bem abaixo dos destinados ao teatro, cinema e à música. O aspecto positivo é que são mecanismos transparentes – afirma Torres, lembrando também da importância da realização de festivais como os da cidade de Limeira (SP).

Protesto bem-humorado

Um grupo de palhaços comemorou a passagem do Dia Mundial do Teatro e o Dia Nacional do Circo com um protesto bem-humorado, nesta manhã, em uma passeata pela Avenida Paulista, região central da capital paulista. Na sua sexta edição, o ato buscava “convidar a população a pensar sobre como tudo na vida é risível”, explicou um dos organizadores Carlos Biaggioli aos jornalistas presentes. Para Bianggioli, o humor precisa ser “pensado sistematicamente” devido a sua importância social.

– A pessoa que se leva demais a sério é propensa ao câncer, a crimes de diversos níveis, a atitudes ditatoriais e anti-humanas. Pode parecer bobagem, mas no fundo no fundo é bobagem mesmo – arrisca.